Quando escolhemos uma profissão, especialmente por afinidade, tudo que desejamos é alcançar o sucesso. Tem gente que chega lá com muita facilidade, seja por mérito ou o famoso QI. Em contrapartida, há aqueles que não conseguem chegar a lugar algum sem ralar muito, correr atrás e ficar em uma constante busca por aperfeiçoamento profissional.
Pergunta: onde começam as diferenças, quando o caminho iniciado é praticamente o mesmo? Teoricamente, somos preparados pela faculdade, sendo ela excelente ou péssima, da mesma maneira. Claro, estágios em sua área e cursos extra-curriculares são um grande diferencial, mas o que eu estou falando aqui é como as oportunidades chegam até nós. Por exemplo, o indivíduo X tem mais êxito profissional que o Y, mas o primeiro chegou lá numa boa e o segundo teve que suar a camisa.
Agora, vou para a segunda pergunta: considerando que você se encaixe na mesma categoria que o camarada Y, aquele que não consegue exatamente nada sem o mínimo de esforço possível. O que você é capaz de fazer para chegar ao topo?
Esses são questionamentos importantes para eu entrar no assunto que realmente vim tratar nesse post. Esses dias, perguntei aos meus seguidores e amigos no Twitter e Facebook: “Você venderia sua alma para ter sucesso profissional?”. Foram respostas extremas, com Não’s e Sim’s bem enfáticos. Um debate bem divertido.
Bom, agora vamos ao que interessa. Não sei quantos de vocês já ouviram isso, mas há muito anos, escuto uma história macabra de que a famosa Rainha dos Baixinhos só alcançou todo o seu sucesso, após fazer um pacto com o famigerado Coisa Ruim, também conhecido como Capeta, Cão Miúdo, Demônio, Diabo, etc. Ou seja, reza a lenda que ela vendeu a alma em troca da fama. Ok, eu não acredito nisso! É uma lenda urbana, sem dúvidas. De qualquer maneira, creio que cheguei onde queria.
Você, que acredita na existência de um espírito, uma alma que transcende nosso corpo, venderia a sua em troca de sucesso profissional? Seria capaz de conviver com a certeza de que jamais habitaria o Reino dos Céus, ou seja lá para onde vamos quando morrermos, para arder eternamente no mármore do inferno sob o espeto do Capeta, só para alcançar o tão almejado lugar ao sol?
E quanto a você, que tem certeza absoluta de que a alma não passa de uma balela inventada para convencer as pessoas a comprar terrenos no céu. Teria coragem de vender a sua “alma”, aqui no caso, sua dignidade e ideologias em troca de um passe para o alto escalão da classe trabalhadora? Deixaria para trás seus conceitos, pisaria em alguém, mentiria ou engoliria seu orgulho por um salário mais polpudo? Para ser “o escolhido”?
Eu, particularmente, ainda estou nos primeiros degraus da minha escalada profissional. Como muita gente, acredito que a maioria, faço parte do clubinho do senhor Y, aquele do começo do texto, e nada me chega de mão beijada. Tenho dado tropeços e cabeçadas por aí, por isso levantei essa questão da alma comigo mesma. Me fiz exatamente essas perguntas que lancei para vocês anteriormente. Fiquei pensando no que seria capaz de fazer para conseguir o que quero e cheguei a apenas uma conclusão, que pode soar completamente clichê, mas que me deixou em paz. Conclui que por mais que eu caia, sei que quando levanto, estou com mais força e preparada para tentar algo maior. Tenho a convicção de que, ao chegar lá, poderei sentir orgulho de mim mesma por não ter aceitado vender minha alma. A alma nos dois sentidos.
Para finalizar, quero citar dois posicionamentos a respeito da questão levantada. Eles sintetizam bem os extremos, a crença e a descrença, o etéreo e o palpável, o espírito e o corpo.
“A venda da alma ocorre quando você abre mão de algumas coisas ou valores que você acredita fundalmentalmente. Acredito que nós somos carne, alma e espirito. Basicamente.” (Rodrigo Furquim).
“Eu venderia sem problema algum. Alma não existe. Se alguém quiser comprar algo que não existe, venda né. Só deve ficar esperto com os recibos.” (Luiz Otávio Silva).
Revisão Felipe Rui.
