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12.6.12

Acredite.


Foto: asweetdream

Acreditar no amor faz bem. Não o amor Romântico, cheio de firulas e declarações que soam mais falsas que os produtos da 25 de Março. Amor bom mesmo é aquele do dia-a-dia, da cumplicidade, do apoio mútuo e do respeito a individualidade do outro. 

Não se engane achando que o amor verdadeiro se resume a um poema muito bem rimado ou a um buquê abarrotado de rosas vermelhas. O verdadeiro sentido de amar alguém, está intimamente ligado a tudo que você é capaz de renunciar ou agregar na vida do outro e na sua própria vida. É ter maturidade para entender que nem tudo será perfeito, pois às vezes vocês vão brigar e fazer cara feia um para o outro. Que em alguns momentos, a grana vai ficar curta e aquele jantar romântico vai ser trocado por um cachorro-quente na esquina. Que as declarações de amor serão ditas no meio da tarde, via SMS mesmo, e não da forma generalizada de romantismo que todos costumam aclamar. Que pode acontecer do sexo cair na rotina, mas e daí, né? Amor é isso mesmo. Dias comuns, briguinhas, não dormir de conchinha (convenhamos, incomoda), as vezes ele no bar e você com as amigas, TV em casa ao invés de cinema, um eu te amo meio sonolento ao acordar - ainda com aquele bafo matinal... Essas pequenas e grandes coisas que completam a nossa existência.

O mais legal de amar alguém de verdade, é perceber que a relação não é um conto de fadas. É sacar que ao seu lado não existe um príncipe ou princesa perfeitos. É notar que uma pessoa comum te completa muito mais do que aquela que povoa seus sonhos. Muito mais perfeita do que o amor platônico da 5ª série. E sabe quando você percebe isso? É quando você desata os nós da ilusão, de querer encontrar uma pessoa que se encaixe perfeitamente em todos os parâmetros, que um dia estabeleceu como meta de relacionamento.

Acreditar no amor faz bem. Mas faz ainda mais bem, para quem sabe enxergar o que é amar de verdade. Feliz dia dos namorados.

P.S. Aproveitando o ensejo, só quero agradecer publicamente ao Felipe Rui (aka meu namorado e revisor deste blog) por ele ser exatamente quem é. E por completar tanto a minha existência. Te amo, B!

P.S2. Hoje está sem revisão. Foi de supetão mesmo. rs

Beijos,





1.10.11

Doce e amarga.

Foto: Luiz Paulo Marques de Souza
Sou uma pessoa que não dou para trás em meus planos. Traço uma reta e sigo por ela. As vezes, claro, ensaio uma circunferência. Mas jamais estaciono no ponto final. Acho que minha vida é meio que um squiggle infinito.

Não faz muito tempo,  juntei meus trapos e subi em um ônibus rumo a São Paulo. Foram quase quatro horas de viagem, onde tentei acalmar um constante medo que eu tinha, o de me tornar mais uma daquelas pessoas que se perdem por aqui e jamais são encontradas. Pra variar, junto com minha pequena bagagem vieram grandes expectativas. Normal. Acho que todo mundo é assim. O ser humano é assim, adora criar sua própria dimensão das coisas.
Foto: Rosangela Lima
  
Aqui se trabalha muito. Gasta-se o dobro do tempo para ir a qualquer lugar, mesmo quem tem carro. Só para ir na esquina você já paga R$10. Tá todo mundo sempre cansadas. O trânsito é infernal... Mas por que as pessoas insistem em vir para cá? Por que eu vim para cá? Por que todo dia desembarca um monte de gente na rodoviária do Tietê ou em Guarulhos e Congonhas? 

Quando cheguei em São Paulo, me deparei com um formigueiro. Um grande formigueiro cheio de pequenas cabeças apressadas. Corpos esbarrando uns nos outros, sem tempo de parar e pedir desculpa. Carros com pessoas impacientes e suas buzinas incessantes. Uma infinidade de viadutos sem mais espaço para guardar os cobertores de quem dorme ao relento. 

Grande parte dessa cidade é etérea. Aqui os prédios se constroem sob esperança. Os ônibus passeiam por ruas de saudade. As pessoas caminham por calçadas de alegrias e tristezas. Os muros são pichados com frases poéticas. Os sonhos são realizados e as ilusões destruídas. Alguns planos são concretizados e outros sequer saem do papel. E ninguém vai embora.

Qualquer pessoa que eu conheço, que tenha vindo para cá, veio atrás da realização de algum objetivo. São Paulo é uma cidade cheia de defeitos, mas é um lugar que há anos recebe milhões de pessoas e abre cada vez mais espaço para acolhê-las. Talvez por isso já esteja cheia demais.
Foto: Marco Braz
Aqui eu dividi quarto em um pensionato com cinco meninas. Trabalhei em uma editora, onde tinha que vender espaço publicitário, o que implicava andar por lugares que eu nem conhecia. Conheci pessoas incríveis por um tal de Twitter. Entrei para uma grande empresa que jamais pensei ter chance. Consegui um cantinho só pra mim. Descobri que quanto mais você ganha, menos você gasta fazendo o que gosta. Conheci mais gente incrível. Adotei uma gatinha e tive a pachorra de chamá-la de Panicat. Percebi que não adianta morar em uma cidade legal, conhecer pessoas incríveis e ganhar dinheiro se você não tem disposição para aproveitar nada disso... Enfim.

Nessa cidade, as ilusões se desfazem, mas as pessoas continuam aqui. E eu, mesmo depois do medo, das incertezas, das lágrimas, da dor e depois do escorregão no meu primeiro dia, o que me deixou o joelho direito roxo por semanas, cheguei e fiquei. E não vou mais a lugar nenhum. Porque a minha vida agora é aqui. Debaixo dos prédios altos e sob o incessante barulho das buzinhas ensurdecedoras. Pelo menos, até o próximo traço do meu squiggle. 


Revisão: Felipe Rui.


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Bom, depois de mais um longo hiato, cá estou eu novamente com minha enorme cara de pau, esperando que vocês ainda venham ler este blog. rs
Espero que gostem desse meu pequeno depoimento sobre minha grande aventura nessa selva chamada São Paulo. Um lugar em que se mata um leão por dia, para se ter a dádiva de deitar e poder sonhar toda noite.

Beijos!


13.3.11

Ah, que isso? Elas estão descontroladas!


Quem nunca se descontrolou na vida que atire a primeira pedra. Todo mundo já teve seu dia de loucura e devemos admitir isso sem culpa. Mas entre o descontrole casual e as atitudes insanas, calculadas ou não, existe uma boa distância.

Perder as estribeiras depois de uma discussão com o namorado e chorar ou insistir para a conversa continuar quando ele quer que termine, vá lá, é aceitável. Afinal, no calor das emoções tomamos atitudes que posteriormente nos envergonhamos. Mas, por exemplo, gritar descontroladamente na frente da casa dele para chamar atenção ou ir até o trabalho dele e fazer um barraco, é coisa de gente maluca.

Vocês devem se perguntar agora o motivo de eu citar exemplos com mulheres e não homens. Bom, primeiro que na maioria das situações, os homens tem mais sangue frio para lidar com assuntos problemáticos. Dificilmentes eles cairão em um choro compulsivo ou sairão gritando pela rua quando levam um pé na bunda. Tá que eles podem fazer algo pior como, por exemplo, matar a mulher que o rejeitou/traiu. Não sou eu que digo isso, está nos jornais todos os dias, mas fora esse extremo mórbido, homens são sim, mais controlados. Segundo que, por ter várias amigas, não é difícil presenciar cenas do tipo. Terceiro, porque vocês não tem ideia do que já passei por causa de mulheres assim. Elas são terríveis! 

Suponho também que queiram saber meus motivos para falar de situações de cunho amoroso e não gerais, como ser demitido, por exemplo. Bom, tem coisa que nos deixa mais maluquinhos que paixão? Pelo menos eu acho que essa é uma das maiores causas de barracos, discussões e afins. E digo isso porque, diferente do amor e toda sua calma sublime, a paixão traz consigo todo tipo de sentimentos contraditórios: ódio, ciúme, insegurança, medo e, claro, loucura. Por isso, acredito que essa seja a causa de boa parte das insanidades cometidas por pessoas mundo afora.
Agora, vamos fazer alguns cálculos:


Exagero? Não, amigos! Só quem já foi vítima de uma descontrolada sabe bem o que estou falando. Imaginem acordar às 7 da manhã por receber uma SMS muito, muito feia de uma mulher que não confia em si mesma e joga a culpa do fim da sua felicidade em você. Péssimo, né? E isso, sem nem fazer ideia do que ela está dizendo e a merda continuar por dias a fio, nos horários mais inusitados. Tenso. 

Exemplos pessoais à parte, o intuito desse post é tentar entender o motivo de tantas mulheres se prestarem a situações rídiculas por causa de um homem. Sinceramente, homem ou mulher, não acredito que ninguém valha tanto a pena que mereça tamanha exposição. E outra, se a situação ficasse restrita apenas à pessoa que deseja se expor, beleza. Mas o pior é quando  terceiros são envolvidos e aí vira uma bagunça na vida de todo mundo. 

Ele não te quer mais? Parte para outra! A ex dele te deixa insegura? Pô, confia mais no seu taco, mulher! Ele prefere passar a tarde com os amigos ao invés de ir te ver? Vai fazer algo que também te faça feliz! Você tem ciúme das mulheres do trabalho dele? Pense bem, se ele quisesse as colegas de trabalho, não estaria com você! Enfim, seja mais segura de si, acredite mais em seu potencial como mulher. Seja alguém que as pessoas queiram se aproximar, e não se afastar por medo de suas tramoias e sandices.

POR FAVOR! Pare de infernizar a vida das pessoas que estão ou já estiveram na vida daquele que você diz amar, ok? Ninguém se importa, tá! OBRIGADA!

Revisão: Felipe Rui

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E então pessoal, o que acharam do tema da semana? Complicado conviver com gente assim, né? Eu tenho pavor, pavor!
Bom, é isso! Se quiserem sugerir alguma tema, fiquem à vontade!

Beijos da Petit

2.3.11

O poder da autossabotagem

 
Você pode estar se boicotando e nem sabe.

Pense na seguinte situação: você está escalando uma montanha bem alta e está bem feliz porque em pouco tempo atingirá o cume. Só que então, faltando poucos metros para atingir seu objetivo, você simplesmente desiste. E, sem ao menos saber o motivo da desistência, começa a ser corroído por um enorme sentimento de fracasso. Horrível isso, não é?

Já parou para pensar o por quê de todas as vezes que as coisas podem dar certo, ou estão dando, você põe tudo a perder? Por que, mesmo quando reúne forças para lutar por seus objetivos, percebe que existe o desejo de vencer e superar obstáculos, você desiste antes de chegar na etapa final? Talvez você esteja sob os efeitos da sabotagem interior, também conhecida como autossabotagem. Um problema que se não detectado há tempo, pode destruir seus sonhos, sua carreira e sua vida.

Tanto na vida amorosa, quanto na profissional, existem exemplos em que as pessoas entram em um círculo vicioso de autossabotagem. Criando, para si, barreiras imaginárias que se interpõe entre elas e a felicidade.

Na vida sentimental, por exemplo, diz estar cansado de se envolver em relacionamentos que não chegam a lugar algum e quase sempre machucam e destroem sua autoestima. Que em seu caminho só aparecem as pessoas erradas e que quanto mais reza, mais assombrações aparecem. Porém, logo em seguida está novamente nos braços de alguém do mesmo tipo, cantando alegremente: “Você não vale nada, mas eu gosto de você".

Na profissão, está sempre culpando o mercado ou os chefes pelo insucesso. Choraminga que as oportunidades não chegam, que nunca é valorizado, que não reconhecem seu potencial e que no próximo emprego, vai se acertar. Só que esse emprego certo nunca aparece. E você segue infeliz, achando que escolheu a carreira errada ou pensando que não merece uma oportunidade de sucesso.

A autossabotagem tem raízes muito profundas. Os psicólogos normalmente a tratam como fruto de experiências da infância. Quando, muitas vezes, os pais superprotegem os filhos dizendo “Você é pequeno demais para fazer isso. Não vai dar conta” ou  trazem a ideia de fracasso de sua própria vida, afirmando que o sucesso nunca chega ou quando, na pior das hipóteses, afirmam categoricamente coisas como “Ambição é pecado”. Tudo isso influencia diretamente a imagem que uma criança tem da vida. Porque, de certa forma, ela está ali, desesperadamente tentando agradar aqueles que ela tem como referência. A partir disso, o indivíduo cresce carregando dentro de si sentimentos de insegurança, medo,  incompetência e outros muito piores.

Bom, descobrir que o fato da sua vida estar uma merda pode ser culpa das experiências de infância e dizer “caramba, não posso voltar no tempo e mudar isso”, não ajudará em nada. Você também não pode simplesmente ir até a casa dos seus pais e apontar na cara deles que a culpa da sua infelicidade está na criação que te deram. Eles fizeram o melhor que puderam, acredite. Aliás, nada disso fará diferença, porque o problema está dentro de você. E é dentro de você, também, que está a solução para dissolver esse sentimento tão prejudicial.

Se você indentifica-se com alguma dessas situações, a primeira coisa a fazer é aceitar que o problema é interno, não externo. Porque enquanto você buscar motivos para culpar as pessoas e as coisas por tudo que dá errado na sua vida, o ciclo vicioso não irá se romper. Tendo consciência de que só você é responsável pela sua felicidade, certamente trará mais forças para encontrar os caminhos que podem te levar até ela.

Sendo assim, se o primeiro passo já foi dado, entenda também que as coisas não se ajeitarão em um passe de mágica. Compreenda que há anos você vem tomando as mesmas atitudes e, talvez, não seja tão simples mudar o foco dos seus pensamentos. Por isso mesmo, é necessário ter paciência e persitência. Comece por ações pequenas, fazendo aquilo que você sabe perfeitamente que tem capacidade para fazer. Isso irá valorizar seus pontos fortes e, consequentemente, sua autoestima irá se reerguer. Em seguida, pense em tudo que você não quer mais ter na sua vida. É comum as pessoas nos pedirem para descrever aquilo que mais desejamos e acabamos abrangendo o senso comum: amor, dinheiro, saúde, etc. Aqui, é importante definir o que te faz mal, o que te impede de seguir adiante. Por isso, faça uma lista de coisas que devem mudar. Exemplo: “Não quero desistir facilmente. Não quero ao meu lado pessoas que me colocam para baixo. Não quero duvidar da minha capacidade...” e assim sucessivamente. Expurgando o que é ruim, as portas se abrirão mais facilmente para o que é bom.

Policiar seus pensamentos também é uma atitude que atrai coisas positivas. Pode parecer balela, se você entender isso como é exposto no livo “O Segredo”. Só pensar em coisas boas não vai transformar sua vida. É preciso evitar pensamentos ruins, que te trazem medo e insegurança e, em seguida partir para ações práticas. Se não se sente feliz no emprego que está atualmente, pare e reflita o que você não gosta ali. São as atividades? São as pessoas? Ou você simplesmente não gosta do que faz? Independentemente dos motivos, tente descobrir o que é e elimine-os. Se for o caso, mude de emprego. Mas antes disso, esclareça exatamente onde você quer estar e busque as medidas para levá-lo até lá. Já é um começo, concordam?

Não quero mais me alongar no assunto, acho até que o texto já está longo demais para os padrões do blog. Por isso, quero finalizar essa questão dizendo a vocês que há pouco tempo descobri que tenho feito exatamente isso comigo. Ando autossabotando minha própria vida e estou na luta para me desvencilhar desse ciclo vicioso. E se você se encontra nessa mesma situação, peço que busque, dentro de você mesmo,  a resposta que tanto procura para responder às suas aflições. Eu identifiquei onde estava o erro e sei que qualquer um pode fazer o mesmo. 

Desejo a todos um bom caminho de autodescoberta. Que apesar das mazelas causadas por esse sentimento, possamos todos encontrar de verdade o que queremos e não queremos para nossas vidas. E se não conseguirem sozinhos, por favor, não exitem em procurar ajuda profissional. Não é nenhuma vergonha admitir que precisamos da ajuda de alguém. Afinal, o que importa realmente é sermos felizes com tudo que conseguimos construir.

Se quiserem ler mais sobre o assunto, recomendo uma matéria da revista Sexto Sentido, nº113 da Mythos Editora. A matéria é assinada por Alex Prim e vale a leitura. Seguem também alguns links que encontrei na Internet sobre o assunto:


Revisão: Felipe Rui.
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Oi amigos! O tema do texto dessa semana não é muito tranquilo, né? Mas é um assunto que pode servir de referência para algumas pessoas, por isso resolvi compartilhar. Quero saber o que acharam, ok?
O texto da semana que vem terá como tema "Mulheres alteradas". Sabe aquela coisa de mulheres que amam demais e saem dos limites? Pois é... Aguardem!

Beijos da Petit

15.1.11

Petit indica!


Confesso que por passar tanto tempo conectada ao mundo virtual, andei deixando de lado uma coisa pela qual sou extremamente apaixonada: ler um bom livro! Aí, por um inconveniente da tecnologia, meu notebook querido deu problema. E não é que isso acabou sendo uma boa?

Nessa minha incursão de volta ao mundo totalmente real, me peguei devorando um livro após o outro. Que delícia! Não poderia encontrar expressão melhor para definir a sensação de tê-los entre meus dedos, sentir o cheirinho tão particular que cada um deles tem e, por que não dizer, estar tão bem acompanhada nas minhas noites solitárias.

Sendo assim, como qualquer apreciador do prazer que uma boa leitura proporciona, sempre curti indicar aos amigos os livros que li e gostei. Engraçado nunca ter feito isso por aqui, mas hoje eu tenho três indicações para meus adoráveis leitores.

 
O amor é para os fortes – Marcelo Cezar

O enredo aborda o Espiritismo de uma forma cotidiana, onde ver, ouvir ou falar sobre espíritos é tão natural quanto comer e dormir. Porém, diferente de outros livros do gênero que li, ele foca mais nos acontecimentos da vida dos personagens, entre eles amor, casamento, traição, relações familiares e de trabalho.
Através de uma linguagem textual bem simplória, esse romance espírita trata principalmente sobre desapego e o quanto devemos nos amar em primeiro lugar, antes de ter o que oferecer ao outro.
Nota 5.



A menina que não sabia ler – John Harding

Acompanhamos as mórbidas aventuras de Florence, uma menina de 12 anos que faz de tudo para defender seus maiores tesouros – o irmão caçula e os livros. E enquanto vamos enveredando por caminhos sombrios, angustiantes, fica impossível discernir sobre o que é realidade ou fantasia da sua cabecinha infantil.
São 288 páginas inteiramente envolventes de um suspense que te prende e ameaça não deixar você largá-lo.
Nota 8.






 
Dewey - Um gato entre livros – Vicky Myron

Quem me conhece sabe o quanto gosto de gatos, mas após ler esse livro, certamente que passei a amá-los ainda mais.
Essa é a comovente história de um gatinho abandonado em uma biblioteca, que acabou se tornando famoso mundialmente por sua doçura, gentileza e capacidade de unir e alegrar pessoas com corações despedaçados.
É impossível ler sobre Dewey e não dar uma risada sequer. Muito menos, deixar de derramar muitas lágrimas. Na verdade, impossível mesmo, é ler esse livro e não sentir uma imensa vontade de ter conhecido um bichinho tão amável como ele.
Nota 10.







Revisão: Felipe Rui


Agora, quero que leiam e me digam o que acharam das indicações, combinado?
Espero voltar muito em breve! Um beijo!

22.12.10

Valores invertidos

O ano está acabando e, provavelmente, alguns de nós estamos exercendo toda a bondade e  generosidade armazenada durante 2010, doando roupas velhas, pratos de sopa ou cestas básicas para aquelas pessoas miseráveis que vemos todos os dias, mas ignoramos. Chega essa época e as pessoas adoram parecer melhores do que são, né?

A verdade, gente, é que os valores andam invertidos. Amar ao próximo como a si mesmo? Isso só existe na Bíblia. A maioria das pessoas está pouco se fodendo para o próximo. O individualismo é um fator chave na vida que levamos atualmente e infelizmente não há como voltar atrás.

Em todos os lugares, as pessoas só pensam em passar a perna umas nas outras. Sabotam, trapaceiam e fazem fofocas porque não existe mais a preocupação com o bem-estar de ninguém e é muito desagradável perceber que estamos rodeados por inimigos ocultos, já que fica muito difícil descobrir de onde vem a rasteira que te derruba.

Devo confessar que estive muito brava com essa filhadaputice, principalmente, porque tomou conta da minha realidade. Já encontrei muita gente sem-vergonha no meu caminho, gente baixa mesmo, que não valia nem o prato que comia. Mas esses fatores isolados não me afetaram tanto quanto várias facadas nas costas de uma vez só.

Sabe quando um monte de coisas ruins te acontecem de uma vez só e você não tem nem ideia de onde vieram os tiros? Passei por uma fase assim há não muito tempo atrás e me deu muita vontade de passar para o time dos maus. Sério. Fiquei extremamente zangada por perceber que as pessoas só faziam aquilo comigo porque eu estava sendo boazinha demais. Quer dizer, burrinha demais. Dá para ser bom e esperto ao  mesmo tempo, agora sei disso.

De qualquer maneira, uma coisa que uma amiga me disse chamou muito minha atenção – “o negócio é ser do bem, porque do mal já tem muita concorrência”. E se formos parar para pensar, o fato de você ser mau não impede de serem sacana contigo, a única diferença é que, de certa forma, terá merecido o que aconteceu.

Bom, mas agora tudo passou e eu tenho certeza do que quero pra mim. Vou continuar a ser quem eu sou, independente de quantas vezes eu cair ou de quem me derrubar. Claro que vou filtrar pessoas e situações, para aos poucos formar ao meu redor uma rede de confiança que sempre irá me segurar quando eu precisar.

Quanto aos espertinhos de plantão, que sacaneiam o ano inteiro e vem bancar o bonzinho durante as festas de fim de ano, só tenho uma coisa a dizer: estamos de olho! 

Revisão Felipe Rui 

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Recebi o texto de um grande amigo e vou postá-lo aqui para compartilhar com vocês as ideias dele a respeito de ética e escolhas. Espero que gostem!



Refletindo sobre as nossas escolhas....

Marco Antonio Lima do Bonfim[1]

“Os valores não são ‘pensados’ nem ‘chamados’, mas vividos”
(Edward Palmer Thompson)


Vivemos com certeza num mundo de valores e por ser assim, vivemos constantemente fazendo “escolhas”. Escolhemos o que comprar, o que comer, vestir, etc. Escolhemos como e em quê empregaremos nosso dinheiro, dentre tantas escolhas que fazemos diariamente. Mas, você já parou para pensar como ou o quê nos leva a optar, por exemplo, por um estilo de filme que pretendemos assistir? Se sim, concordaremos que somos reflexivos em cada escolha que fazemos de tal forma que deveríamos “ser responsáveis pelos sentidos que construímos para as coisas” (no mundo). Porque nossas escolhas têm conseqüências, não digo boas ou más (sem essa de ser dicotômico!), mas éticas.
Podemos mergulhar de uma só vez nessa questão a partir de um dos filmes de Fernando Meireles, (é aquele mesmo que adaptou o livro “Ensaio sobre a cegueira” para o cinema), “O jardineiro fiel”. O filme se passa no contexto das questões relativas à saúde pública no continente africano, os dois protagonistas são um diplomata britânico (“Justin”) e sua esposa (a repórter “Téssa”). O enredo se desenvolve a partir de uma certa “máfia” que existe entre o Governo britânico e algumas indústrias farmacêuticas, este “acordo de gigantes” previa que tais indústrias usassem os/as africanos/as como “cobaias” em sua empreitada “científica” testando um suposto remédio para a cura da tuberculose. No entanto, tais testes ao invés de reforçarem a vida, arrancaram-na da população africana com o pretexto de que tais vacinas fossem contra a AIDS.
Enfim, não entrarei em mais detalhes, o que nos interessa deste filme são apenas duas cenas. Na primeira, “Justin” e “Téssa”, esta já grávida, estão em solo africano dentro do carro, quando “Téssa” vê uma mãe africana com um bebê no colo cambaleando de fraqueza para sua distante localidade. A esposa do diplomata pede ao mesmo para parar o carro e dar uma “carona” para eles. Mas, “Justin” argumenta que “as Nações Unidas estão aqui para isso. Se abrirmos exceção para um teremos que abrir para todos”.
Ora, o que se vê nesta cena nada mais é do que uma “escolha” feita por “Justin” baseada em valores que acredita. Assim, como a vontade de “Téssa” em ajudar as/os africanas/os está também amparada em valores outros que não os de  seu marido.
Mergulhemos um pouco mais e vamos para a segunda cena. Nela “Justin” está em uma das comunidades africanas “ajudadas” pela ONU quando de repente, aparecem outros povos que invadem o lugar matando todos que lá se encontravam. “Justin”, um médico “voluntário” e uma criança africana fogem e conseguem chegar até o Avião da ONU, o (agora) ex-diplomata pede ao piloto para levar a criança, mas a mesma não aceita. “Justin” tenta suborná-lo, mas ele diz “limpo e seco”: “Aqui as regras são essas!”. E a criança ( como que obedecendo a um certo “código social”) prossegue por “vontade própria” correndo no meio do deserto africano.
Ao contrário da outra cena, vimos que “Justin” motivado por outros “valores” e “experiências” escolheu significar sua atitude de outra forma. Por quê? E mais, essas tais “regras”, a que se referiu o piloto do avião, por que são assim? Ou melhor, porque tem que ser estas regras (sociais) e não outras?
Da forma como foram representadas no filme, o que parece (talvez) é que estas regras não são sociais, foram impostas do nada e “tem que ser assim se não...”. Ou seja, seres humanos estavam (estão) sendo “cobaias científicas” de experimentos que servem a um sistema desumano e asqueroso – o capitalismo – e  tudo que podemos fazer é “aceitar” que “as regras são essas!”?
Penso que se os valores não caíram do céu (nem do inferno!), e se não são “pensados”, nem tampouco “chamados”, mas “vividos” como disse o historiador inglês   Edward P. Thompson. A interpretação que podemos ter destas cenas é que nós não seguimos regras naturais, mas aprendemos valores, valores estes que guiam nossas escolhas que inevitavelmente terão implicações ético-políticas para nossas vidas e para as vidas de outros sujeitos sociais que estão neste mundo vivendo suas “experiências” das maneiras mais variadas e contraditórias.
Se refletirmos assim, poderemos então contribuir para a (re)construção de outros valores que não estes que por aí estão?


[1] Mestrando em Lingüística Aplicada na Universidade Estadual do Ceará. E-mail: marcoamando@yahoo.com.br