Mostrando postagens com marcador sonhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sonhos. Mostrar todas as postagens

12.6.12

Acredite.


Foto: asweetdream

Acreditar no amor faz bem. Não o amor Romântico, cheio de firulas e declarações que soam mais falsas que os produtos da 25 de Março. Amor bom mesmo é aquele do dia-a-dia, da cumplicidade, do apoio mútuo e do respeito a individualidade do outro. 

Não se engane achando que o amor verdadeiro se resume a um poema muito bem rimado ou a um buquê abarrotado de rosas vermelhas. O verdadeiro sentido de amar alguém, está intimamente ligado a tudo que você é capaz de renunciar ou agregar na vida do outro e na sua própria vida. É ter maturidade para entender que nem tudo será perfeito, pois às vezes vocês vão brigar e fazer cara feia um para o outro. Que em alguns momentos, a grana vai ficar curta e aquele jantar romântico vai ser trocado por um cachorro-quente na esquina. Que as declarações de amor serão ditas no meio da tarde, via SMS mesmo, e não da forma generalizada de romantismo que todos costumam aclamar. Que pode acontecer do sexo cair na rotina, mas e daí, né? Amor é isso mesmo. Dias comuns, briguinhas, não dormir de conchinha (convenhamos, incomoda), as vezes ele no bar e você com as amigas, TV em casa ao invés de cinema, um eu te amo meio sonolento ao acordar - ainda com aquele bafo matinal... Essas pequenas e grandes coisas que completam a nossa existência.

O mais legal de amar alguém de verdade, é perceber que a relação não é um conto de fadas. É sacar que ao seu lado não existe um príncipe ou princesa perfeitos. É notar que uma pessoa comum te completa muito mais do que aquela que povoa seus sonhos. Muito mais perfeita do que o amor platônico da 5ª série. E sabe quando você percebe isso? É quando você desata os nós da ilusão, de querer encontrar uma pessoa que se encaixe perfeitamente em todos os parâmetros, que um dia estabeleceu como meta de relacionamento.

Acreditar no amor faz bem. Mas faz ainda mais bem, para quem sabe enxergar o que é amar de verdade. Feliz dia dos namorados.

P.S. Aproveitando o ensejo, só quero agradecer publicamente ao Felipe Rui (aka meu namorado e revisor deste blog) por ele ser exatamente quem é. E por completar tanto a minha existência. Te amo, B!

P.S2. Hoje está sem revisão. Foi de supetão mesmo. rs

Beijos,





1.10.11

Doce e amarga.

Foto: Luiz Paulo Marques de Souza
Sou uma pessoa que não dou para trás em meus planos. Traço uma reta e sigo por ela. As vezes, claro, ensaio uma circunferência. Mas jamais estaciono no ponto final. Acho que minha vida é meio que um squiggle infinito.

Não faz muito tempo,  juntei meus trapos e subi em um ônibus rumo a São Paulo. Foram quase quatro horas de viagem, onde tentei acalmar um constante medo que eu tinha, o de me tornar mais uma daquelas pessoas que se perdem por aqui e jamais são encontradas. Pra variar, junto com minha pequena bagagem vieram grandes expectativas. Normal. Acho que todo mundo é assim. O ser humano é assim, adora criar sua própria dimensão das coisas.
Foto: Rosangela Lima
  
Aqui se trabalha muito. Gasta-se o dobro do tempo para ir a qualquer lugar, mesmo quem tem carro. Só para ir na esquina você já paga R$10. Tá todo mundo sempre cansadas. O trânsito é infernal... Mas por que as pessoas insistem em vir para cá? Por que eu vim para cá? Por que todo dia desembarca um monte de gente na rodoviária do Tietê ou em Guarulhos e Congonhas? 

Quando cheguei em São Paulo, me deparei com um formigueiro. Um grande formigueiro cheio de pequenas cabeças apressadas. Corpos esbarrando uns nos outros, sem tempo de parar e pedir desculpa. Carros com pessoas impacientes e suas buzinas incessantes. Uma infinidade de viadutos sem mais espaço para guardar os cobertores de quem dorme ao relento. 

Grande parte dessa cidade é etérea. Aqui os prédios se constroem sob esperança. Os ônibus passeiam por ruas de saudade. As pessoas caminham por calçadas de alegrias e tristezas. Os muros são pichados com frases poéticas. Os sonhos são realizados e as ilusões destruídas. Alguns planos são concretizados e outros sequer saem do papel. E ninguém vai embora.

Qualquer pessoa que eu conheço, que tenha vindo para cá, veio atrás da realização de algum objetivo. São Paulo é uma cidade cheia de defeitos, mas é um lugar que há anos recebe milhões de pessoas e abre cada vez mais espaço para acolhê-las. Talvez por isso já esteja cheia demais.
Foto: Marco Braz
Aqui eu dividi quarto em um pensionato com cinco meninas. Trabalhei em uma editora, onde tinha que vender espaço publicitário, o que implicava andar por lugares que eu nem conhecia. Conheci pessoas incríveis por um tal de Twitter. Entrei para uma grande empresa que jamais pensei ter chance. Consegui um cantinho só pra mim. Descobri que quanto mais você ganha, menos você gasta fazendo o que gosta. Conheci mais gente incrível. Adotei uma gatinha e tive a pachorra de chamá-la de Panicat. Percebi que não adianta morar em uma cidade legal, conhecer pessoas incríveis e ganhar dinheiro se você não tem disposição para aproveitar nada disso... Enfim.

Nessa cidade, as ilusões se desfazem, mas as pessoas continuam aqui. E eu, mesmo depois do medo, das incertezas, das lágrimas, da dor e depois do escorregão no meu primeiro dia, o que me deixou o joelho direito roxo por semanas, cheguei e fiquei. E não vou mais a lugar nenhum. Porque a minha vida agora é aqui. Debaixo dos prédios altos e sob o incessante barulho das buzinhas ensurdecedoras. Pelo menos, até o próximo traço do meu squiggle. 


Revisão: Felipe Rui.


------
Bom, depois de mais um longo hiato, cá estou eu novamente com minha enorme cara de pau, esperando que vocês ainda venham ler este blog. rs
Espero que gostem desse meu pequeno depoimento sobre minha grande aventura nessa selva chamada São Paulo. Um lugar em que se mata um leão por dia, para se ter a dádiva de deitar e poder sonhar toda noite.

Beijos!