12.7.10

Santos pecadores.

Para muitas pessoas, futebol é considerado uma religião. Os campos são templos. Os jogos são cultos/missas. E os jogadores, por sua vez, os santos. Os ídolos. Os idolatrados. As imagens que representam nossa fé em todas as partidas. Por eles, nós clamamos. Para eles, nós direcionamos orações. E são eles, que nós maldizemos, quando nossos pedidos não são atendidos devidamente.
Na Igreja Católica e na Ortodoxa, qualquer pessoa pode ser reconhecida como santo. Mas, para isto é preciso ter feito algo extraordinário. Seja algo considerado um milagre ou sucessivas boas ações durante a vida. Para os protestantes, os santos não existem. Não devemos dividir a atenção que deveria ser exclusivamente de Deus, com “pessoas comuns”.
Os católicos cultuam os santos. Tem em suas casas, réplicas da imagem que estes tiveram enquanto vivos. Para os protestantes, eles são apenas imagens de barro que escondem o Diabo atrás de si.
Eu não sigo nenhuma religião. Nem acredito em santos. Apenas, tenho fé em Deus.
Sou flamenguista desde criancinha. E a vida toda eu assisti o Flamengo em seus altos e baixos pelos campeonatos. Independente de como ele se saía, lá estava eu, sofrendo e sorrindo junto com meus tios fanáticos, diante da TV. Em 1999, eu voltei pra casa debaixo de chuva, apenas para ver o Flamengo jogar. Naquela época, Caio Ribeiro* estava em uma breve passagem pelo Clube. Durante a partida, o goleiro Clemer foi expulso e Caio ficou no gol. E fez boas defesas. Foi emocionante. Será que ele se lembra disso? Eu lembro.
Esse foi apenas um episódio solto, dentro do balaio de lembranças emaranhadas que eu tenho. Lembranças de quando os jogadores simplesmente faziam aquilo pelo qual se apaixonaram: jogar pela bandeira do seu Clube. Quando eles ainda apareciam no Globo Esporte. Não em programas sensacionalistas, como assassinos, drogados ou por não quererem pagar os serviços de um travesti.
O Flamengo já teve grandes jogadores: Zico, Júnior, Romário, Athirson*, Juan, Julio César, Pet...  O próprio Adriano, que ajudou na conquista de nosso último título. Inclusive, era para ele que eu vibrava em cada um dos últimos jogos. E quando ele saiu, fiquei triste e pensando em quem escolheria para meu novo “ídolo flamenguista”. Adivinhem quem escolhi? Escolhi: ele, o solitário do gol. O homem dos pênaltis. O goleiro-capitão. E me fodi! Em rubro-negro. Triste.
Aonde eu quero chegar falando de igreja/futebol e jogadores/santos? Pois bem, eu quero apenas tentar entender uma coisa. O que afinal está acontecendo com nossos ídolos do futebol? Por qual motivo essa “nova geração” está tão empenhada em passar uma imagem ruim. Ao invés de brilhar como os bons atletas que são? Ou eles sempre foram assim e nós, fiéis que somos, apenas os colocamos em um altar no qual não mereciam estar?
Jogadores não são santos, não é? São apenas ídolos de barro que se quebram na sua primeira queda. Queda esta, que deixa cacos espalhados por toda parte. Cacos que ferem todos que estão ao seu redor. E até mesmo, quem apenas os observava a distância.
Só pra finalizar. Eu gosto de futebol. Gosto muito. E torço pelo meu time em todos os jogos. Só que nesse momento, não tenho nenhum ídolo. Mas, uma coisa é certa: eu, definitivamente, continuo tendo fé no Flamengo. Sempre!
*Não consegui encontrar o jogo em que Caio ficou no gol. Mas, nesse vídeo que linkei, o comentarista faz uma menção a essa partida que eu cito.
*Para muitos flamenguistas, Athirson não foi ídolo. Afinal, ele saiu do time com o nome de mercenário. De qualquer maneira, na época, ele foi meu ídolo. E também, eu o achava super gatinho. (risos)
*Meus agradecimentos para os craques: Rodrigo Furquim, @felipem_ab, @_luisao, @mar_condes e @igor_oliveira. Eles me deram ótimas dicas para meu texto. =*

É isso, pessoal! 
Grande beijo e até o próximo post!

6 comentários:

Igor Oliveira disse...

Gabilindaaaaaaa

Athirson não é idolo.

Faltou o Petkovic. E colocar o Juan zagueiro e não o lateral.

Luís disse...

Adoro textos sobe futebol, e esse ficou excelente. Não somente os jogadores de futebol, mas como todas as pessoas públicas deveriam estar pelo menos minimamente preocupadas com a imagem que passam. E é triste ver que homens que saem praticamente da miséria, ganham milhões, têm várias oportunidades de sucesso, terminam sem dignidade.
Concordo ainda que o amor pelo verdadeiro futebol é bem maior e está acima das tragédias que vemos hoje.

Marco Aurélio disse...

fico triste pelas noticias recentes desses jogadores, apesar de não ser flamenguistar e não ser fã de futebol.

Não gosto do papo de dizer que todos que moram/moraram em favela são criminosos. O ambiente influencia sim, mas existe muito mais por trás disso, como família e educação.

A TV não mostra carácter!

Gabriela Silva disse...

Igor,

Athirson foi meu ídolo da adolescência. Não fale assim dele! rs

Bjs

Gabriela Silva disse...

Luís,

É quase impossível que a gente não espere tanto daqueles que estão em evidência. De um jeito ou de outro, acabamos nos sentindo responsáveis pelo sucesso deles e consequentemente, nos colocamos em posição de "juízes". É bom entender que eles são como nós, mesmo que isso nos decepcione.
E futebol é arte. Está acima de toda a sujeira que envolve quem vive dele.

Beijos, querido!

Gabriela Silva disse...

Concordo contigo Marco. Não é porque o cara veio da favela, que ele é consequentemente um marginal. E no caso do Bruno, a falta de estrutura é muito mais familiar que social.

Adoro seus comments! Volte sempre.

Beijos