28.12.09

Contos pra te contar. [4]


A menina que perdeu o Natal.

Aquele foi o primeiro ano que eu o esperei. Lembro que ficava deitada na cama, imaginando se ia demorar muito para chegar. Mamãe achava aquilo tudo muito engraçado e diante da minha insistência, ela sempre me dizia para ter paciência. Só que isso era algo que eu tinha pouco, afinal, o que ela podia esperar de uma garota de seis anos?
Quando eu estava sozinha, pensava nisso o tempo inteiro. Forçava minha memória para tentar encontrar lembranças anteriores sobre esse dia, mas dentro da minha cabeça tudo não passava de borrões. Percebi afinal, que eu não tinha lembranças. Precisava construí-las.

Por isso, às vezes, eu pedia para mamãe me contar histórias. E ela falava sobre a beleza das luzes que piscam ou contava sobre o velhinho barbudo e seu veículo voador, entre muitas outras fábulas que me encantavam. E eu ficava sonhando com aquilo por dias seguidos.

Imaginava em minha cabeça como seria quando ele enfim chegasse. Imaginava tanto, que um dia, eu planejei tudo. E acabei criando minhas primeiras lembranças do Natal. Lembranças trazidas diretamente do futuro.

“Eu acordaria e saberia que ele havia chegado. Feliz e sorridente eu abraçaria minha mãe e correria para a sala. Então, eu veria aquela árvore linda e brilhante. E ficaria na ponta dos pés para conseguir colocar a estrela no topo. Mamãe riria baixinho de mim e ajudaria a me equilibrar. Depois eu sentaria embaixo da árvore com minha mãe e eu entregaria o cartão que fiz especialmente para dar a ela no Natal”.

Então, um dia, ele enfim chegou. Mas, eu não corri para abraçar minha mãe. Não vi a árvore linda e brilhante na sala. Não pude colocar aquela estrela no topo. Nem entregar o cartão que eu fiz. Eu sequer acordei para recepcioná-lo. Eu perdi o Natal. E só soube disso, porque de onde eu estava pude ver minha mãe chorar a minha ausência naquela data tão esperada por mim.


P.S. Um conto de Natal, porque eu adoro o Natal, oras! Brincadeiras a parte, espero que gostem. E não deixem de me contar, como foi o Natal de vocês, tá?


Beijos! =*

21.12.09

Então, é Natal?



O que é o Natal, afinal de contas? De acordo com a crença cristão, 25 de dezembro é o dia em que comemoramos o nascimento de Jesus e por isso o Natal. Para outras religiões, o Natal é comemorado e datado em outros períodos. "Os chineses comemoram em outra data. Os japoneses, também. E os muçulmanos, o fazem a partir de Maomé. Os romanos comemoravam em outra data." E para o comércio, nada mais é que a época em que as lojas mais faturam.  Afinal, o que é um Natal sem presentes, certo? Errado! 

O espírito natalino passa muito longe da imagem que as campanhas publicitárias tentam todos os anos nos fazer acreditar que tem. Porque aquele Papai Noel com barba branca e roupa vermelha, que anda em um trenó voador abarrotado de presentes, com o qual estamos acostumados a conviver por anos a fio, representa nada além do espírito consumidor que temos.

Apesar de ter tido a minha imagem do que é Natal distorcida por anos e anos de campanhas publicitárias, esse é particularmente um dos meus períodos favoritos do ano todo. E não é porque eu ganho presentes das pessoas ou porque resolvemos cozinhar comidas excepcionalmente deliciosas e diferentes do cardápio diário. É porque, durante o período que antecede o Natal e no dia em si, eu olho em volta e consigo enxergar o quanto as pessoas se tornam mais amorosas, solidárias e capazes de compartilhar o pouco ou o muito que possuem  com outras que, muitas vezes, nem conhecem.

Eu tenho a leve impressão, de que todas aquelas luzinhas brilhantes que piscam nas ruas ou nas árvores de natal espalhadas pelas casas é que têm o incrível poder de fazer reacender alguma chama, que por algum motivo obscuro, ficam apagadas durante o resto do ano.

Então, ao enxergar um daqueles pontinhos de luz, os corações amolecem e os sorrisos se tornam mais afetuosos, as mãos permancem estendidas por mais tempo e os abraços conseguem ser ainda mais calorosos do que naturalmente já são.

E sabe qual é a parte mais engraçada disso tudo? É que por mais que a gente veja todos os dias durante o mês de dezembro,  belíssimos comerciais de Natal falando sobre solidariedade, compaixão e generosidade, a gente sabe que nenhum daqueles presentes pode tornar alguém mais feliz do que o amor dado gratuitamente.

Por isso, meus caros leitores, para esse Natal, esqueçam daquelas lindas propagandas que dizem qual perfume, roupa, brinquedo ou qualquer outro presente que você deve comprar para alguém. Esqueça  toda essa bobagem . Lembre-se apenas de presentear as pessoas que você gosta, com algo que não vai te custar nenhum um centavo. Presentei-os com seu amor.

E isso, é tudo que eu quero ganhar nesse Natal.

Feliz Natal!

Um grande abraço a todos e obrigada por todas as vezes que passaram aqui para deixar seu carinho e palavras de incentivo.

Até o post de Ano Novo.


P.S. Deve ter gente pensando: "publicitária mais fake, hein" rs. Pois é... Em casa de ferreiro, o espeto é de pau! =)

28.11.09

Estranhas gentilezas.

Tem dias que a gente tá tão feliz, que dizer um "oi" a um estranho não parece nada estranho, né? Pois bem, hoje foi meio assim. Não que eu estivesse saltitando de alegria. Na verdade, eu acordei muito mal humorada. Mas, me neguei a ficar assim por muito tempo e resolvi reverter o quadro de rabugice.

Decidi por fazer pequenas coisas. Dei bom dia para quem eu encontrava na rua. Segurei a porta do elevador para as senhoras com sacolas nas mãos. Brinquei com o cachorro da moça que passeava na rua. Acenei para o velhinho na janela. Apertei a bochecha rosa e gorda de um bebê que tava brincando na pracinha. Entre outras estranhas gentilezas com estranhos. Enfim, estava tentando "socializar", ser simpática e mostrar um pouco de amabilidade.

Agora, respondam sinceramente. O que vocês acham que rolou durante e depois dessas atitudes? Aposto que pensaram "nossa, as pessoas devem ter achado bacana" ou coisa assim, né? Pois, estão enganados, meus caros. Sei lá por que cargas d'águas, não sei se eu parecia meio maluca ou coisa do tipo. Mas, as pessoas não foram tão receptivas como eu esperava que fossem.

Os meus bom dias eram olhados com surpresa e respondidos apenas com múmurios de cabeça baixa. Uma das senhoras, entrou no elevador com a cara mais carrancuda do mundo e simplesmente apertou o botão. O velhinho na janela colocou a cabeça de volta para dentro de casa. A moça pegou o cachorro no colo. A mãe do bebê fechou a cara. Mas, pelo menos o bebê sorriu! Isso, confesso, compensou a ação.

Quase nenhuma pessoa experimentou esboçar um sorriso ou quiça agradecer. Fique tão "passada"! E claro, comecei a me perguntar: WTF está acontecendo com essas pessoas? Não quis dizer com "as pessoas" para não generalizar, afinal tem muita gente disposta a retribuir ou oferecer gentilezas gratuitas. Mas, aquelas, especificadamente, ou estavam muito de mal com o mundo ou eu realmente parecia maluca ou, as pessoas realmente estão cada vez mais temorosas.

Sério, fiquei afim de entender o motivo. Será que o mundo anda tão complicado que as pessoas têm medo, receio, má vontade, ou o que quer que seja, de falar com quem não conhece? Será que agora é cada um no seu círculo social e ponto final? Bom, se for assim a partir de agora, eu me recuso a compartilhar disso. De verdade!

Tudo bem, que a gente vê muita coisa maluca acontecendo por aí. Tem muita gente que faz o mal a revelia, sem importar-se em magoar ou assustar as pessoas. Mas, poxa, também tem gente bacana de sobra pelo mundo. Gente que você pode nem conhecer direito, mas que alguma coisa que preste ela pode ter ensinar, oferece ou compartilhar.

Eu, sempre fui muito receptiva com pessoas estranhas. Nunca tive essa de receio e coisa e tal. Nunca respeitei muito o conselho que as mães dão de não falar com estranhos. Claro, já encontrei gente do mal. Já meio que me ferrei por confiar em quem não conhecia bem. Mas, são coisas da vida. Nesse intermédio entre o "bem e o mal", conheci pessoas excelentes. Algumas só falei uma vez, outras levo para a vida toda. E foram grandes experiências. Não tenho arrependimentos.

Por isso, que por essas e outras, hoje fiquei muito triste. Triste por perceber que vou acabar deixando para meus filhos um mundo cheio de gente que não se presta mais a vivenciar a experiência do bom e velho desconhecido. E pior, pessoas que sequer sabem retribuir pequenas coisas que fazem a vida melhor.

Bom, é isso aí pessoal. Esse post foi mais um desabafo compartilhado com vocês.

E agora, um trecho de uma música do Zeca Baleiro. Que apesar de tratar de uma felicidade advinda de um romance, traz um pouco da sensação que senti hoje ao acordar e querer fazer pequenas e estranhas (?) gentilezas.

"Hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria..."

Telegrama - Zeca Baleiro

P.S. Bom,todo mundo deve conhecer. Mas, se por acaso alguém não ouviu essa música ainda.Ta aí. Enjoy!


Beijos e mais beijos! Porque como diz um novo amigo meu, quem gosta de dar só abraço é vendedor de carnê do Baú. rs

17.11.09

Contos pra te contar. [3]

Olá você que visita meu blog pela primeira vez. Olá amigos que sempre passam por aqui!
Dessa vez, deixo para vocês, um conto que fiz em 2006 para o concurso Contos do Rio. Eu mudei algumas coisas, mas a ideia é a mesma do anterior.
Espero que gostem e deixem suas impressões a respeito.
Beijo!


O mar que te levou

Ainda me lembro bem daquele dia na praia de Copacabana. O sol brilhava intensamente e o mar estava tão azul que dava gosto de olhar. Morávamos no Rio de Janeiro há apenas alguns meses, por isso, eu e Milena ainda não havíamos perdido o encanto pelo mar. Também pudera, era a primeira vez que tínhamos todo esse contato com ele.

Naquele dia, eu estava particularmente aborrecido com minha mãe. Ela havia me obrigado a acompanhar Milena até a praia para brincar. Não que eu odiasse minha irmãzinha, mas tinham horas que eu queria ficar só e pronto.

Enquanto ela se deliciava na areia, montando castelos e procurando conchinhas. Eu só pensava em como seria bom quando eu não mais tivesse que seguir as ordens dos meus pais.Deitei a cabeça na areia e fiquei imaginando como seria quando eu chegasse aos 18. Em minha opinião, ter 13 anos era demasiado chato, e tudo que eu realmente queria era ser dono do meu próprio nariz. Depois do meu breve estado de revolta, me resignei e comecei a pensar nas viagens que faria. Uma volta ao mundo, quem sabe. E tudo só com uma mochila nas costas, afinal, quem precisava de mais que isso?

Fiquei por ali, perdido em devaneios, sonhando acordado com uma vida onde eu não era obrigado a levar minha irmã mais nova para passear. Fui tirado de meu passeio mental quando por entre os barulhos habituais da praia, consegui distinguir os gritinhos de minha irmã. Levantei atordoado, olhei diretamente para onde eu a havia visto pela última vez e não vi nada além de um castelo semi destruído por uma onda.

Minha primeira reação foi raiva. Que estupidez ela havia feito dessa vez, pensei enraivecido. Se meus pais ao menos sonhassem que eu a havia perdido de vista, era castigo na certa. Aí, adeus férias. Depois, caminhei em direção ao mar. Da distância que eu estava, mal conseguia enxergar, mas não pude deixar de notar aquelas pequenas mãozinhas acenando pra mim.

Senti um nó se formar em minha garganta e corri desesperado para dentro da água. Não deve ser muito fundo, pensei. E entrei no mar, lutando contra as ondas que insistiam em querer me derrubar. Estou chegando, maninha, eu gritava desesperadamente. As mãozinhas ainda se agitavam, mas eu sabia que o tempo estava contra mim.

Consegui chegar até ela. Segurei firme sua mão gelada e tentei arrastá-la junto comigo. Eu lutava contra a correnteza. Parecia inútil continuar lutando. Senti ela escorregar por entre meus dedos finos. Não solta, Milena, consegui gritar. Acho que ela não me ouvia mais. Senti algo forte me puxando e apaguei completamente.

Acordei em um lugar muito diferente do que eu estava acostumado. Tudo era branco demais. Estou no céu, pensei comigo. Pisquei vagarosamente para tentar assimilar as imagens que se formavam diante dos meus olhos. Ainda me sentia meio zonzo. Olhei ao redor e vi um grande jardim com flores de cores inimagináveis. Aquilo parecia um parque. Parecia com a descrição que mamãe nos dava do céu.

De repente, como que em um insight, visualizei tudo que havia acontecido. Lembrei de Milena e comecei a chorar. O que havia acontecido com minha irmã? Ela havia sido salva! Só podia ser isso. Senão, ela estaria junto a mim. Olhei ao redor para ver se consegui enxergá-la. Consegui avistar sua figura minúscula e ela estava sentada em um dos grandes bancos daquilo que eu nomeara “parque do céu”.

Corri ao encontro de minha irmã, pensativo. Afinal, se ela estava ali também, isso significava que nossos pais agora estavam sozinhos. Senti tristeza ao pensar nisso. Olhei para ela e parecia muito melhor do que eu conseguia lembrar. Seus cabelos castanhos brilhavam e seus grandes olhos verdes reluziam sob a luz do sol. Minha irmã parecia muito feliz. Sorri para ela, que retribuiu o sorriso de imediato.

Abri a boca para pronunciar as primeiras palavras, mas ela silenciou minha voz. Levantou o dedinho como quem diz “shhh”. Em seguida, tocou minha mão de leve e eu senti que flutuava. Olhei em volta e já não estava no “parque do céu”. A gente estava de volta ao meu quarto, na casa nova do Rio. Olhei encabulado para a cama e me assustei ao notar que eu estava lá. Mas, como é possível? – pensei. Até onde eu sabia, não era comum estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Milena apertou minha mão para que eu olhasse para ela. E pela primeira vez, desde o acidente no mar, ela falou. Minha irmã contou que sua passagem naquele mundo que nos acostumamos a chamar de lar, havia acabado. Ela não iria mais morar com a gente, mas sim, naquele lugar lindo que eu havia visto antes.

Pediu que eu não me entristecesse e nem me culpasse pelo o que havia acontecido. Que eu precisava ser forte. Nossos pais iriam ter ainda mais necessidade de minha presença e alegria. Eu ficava atento a cada palavra que Milena dizia. Aquela voz de anjo. Não queria perder nem por um segundo a doçura de sua presença. Então, ela disse que era chegada à hora de eu voltar definitivamente. Que eu deveria sair daquilo que os médicos intitularam depressão pós-traumática e viver a vida com mais intensidade.

Nunca consegui esquecer suas últimas palavras. “Sempre que sentir saudades, olhe para o mar. Ele me levou, ele me trará”. E para ser sincero, jamais me acostumei com a perda de minha irmã. Sua ausência foi sempre uma presença constante em toda a minha vida. Mas, por mais que pareça loucura, sempre que olho para o mar é como se ela estivesse de fato ao meu lado.


Outros Contos pra te contar:

13.11.09

Ser boazinha não pode!

Estávamos eu e um casal de amigos no aeroporto. O voo dele atrasou e a gente resolveu gastar o tempo em uma banca. Passei os olhos nas prateleiras e peguei alguns livros para folhear. Estava sem nenhuma intenção de comprar nada, então fiquei de bobeira. Um tempo depois, meu amigo soltou essa:

- Aqui Gabi. Leia esse livro e depois me conta o resultado.

Vindo dele, só podia ser alguma sacanagem, pensei. E eis o título do livro: “Por que os homens amam as mulheres poderosas?” e com direito ao subtítulo “Um guia para você deixar de ser boazinha e se tornar irresistível”. Olhei com desdém, é claro. Primeiro: detesto guias. Segundo: livro de auto-ajuda? Por favor! Terceiro: ele estava me sacaneando mesmo.

Minha amiga pegou o livro da prateleira e começou a ler pra gente. Primeiro capítulo “De capacho a mulher dos sonhos – Conheça seu próprio valor e ele a valorizará”. Eu ri, mas prestei atenção. Aí vieram os tópicos:

1º. Tudo aquilo que perseguimos foge de nós.
2º. As mulheres que enlouquecem os homens nem sempre são excepcionais. Em geral, são aquelas que dão a impressão de não se importar muito.
3º. Um homem percebe que a mulher oferece um desafio mental quando ele sente que não tem total domínio sobre ela.
4º. Algumas vezes o homem não telefona de propósito, só para ver como você reage. (ok confesso que esse eu achei interessante).
...

Segue a lista. E o resto do livro é todo cheio de dicas de como não ser você para conquistar um homem. Quer dizer, na verdade ele vem maquiado com ideias de valorização. Ensinando você a dar mais valor a si para que o homem te queira mais. Mentira. É tudo mentirinha. O livro na verdade, é só um resumo de matérias que saem em revistas como “Nova”, “Claudia” e afins. E o que saem nessas matérias? Dicas de como conquistar um homem. Só isso.

Eu confesso que já li muito à Nova. O que aprendi com ela? Nada. Gente, nenhuma dessas dicas serve exatamente para coisa alguma, além de te deixar encanada pensando “Meu Deus, eu fiz do jeito errado. E agora?”.

Bom, mas, o foco aqui é o conteúdo do livro. Só que esse post não é nem de longe uma crítica a ele, certo? Não tenho embasamento suficiente para isso. Mas, como eu dizia, no livro, ser boazinha é meio que ser “otária”. Ou seja, você gosta da pessoa e quer agradá-la. E você está errada em fazer isso. De acordo com o ele, você tem que parecer desinteressada, aparentemente desprovida do desejo de um compromisso sério, ser o tempo inteiro segura de si, não pode se dar ao luxo de resmungar e tem que ficar sempre criando novos desafios mentais para que o bonitão não perca o interesse por você. Ah, peraí, tem o mais importante: nunca dizer “ele tem que gostar de mim do jeito que eu sou”, porque isso te torna incapaz de se adequar ao que ele quer. Aí, minha filha, de acordo com o livro, você vai ficar para tia.

Uow! É informação demais, né não? E tudo meio contraditório. Não pode parecer interessada, mas tem que ser flexível quanto aos desejos e vontades do gato. Sei lá. Tipo, não dá para simplesmente ser você mesmo? Têm realmente que tomar todas essas precauções para ter alguém bacana do lado?

Eu fiquei cansada só de pensar que preciso realmente fazer isso tudo. E olha que sou naturalmente pensativa e criadora de hipóteses. Não consigo deixar rolar sem antes imaginar como pode ser. Mas, puxa, pensar em cada detalhe assim é de desanimar. E se eu precisar ser realmente essa perfeição toda para ter alguém, já sei que vou ficar para tia dos filhos dos meus primos. Porque nem irmãos para me dar sobrinhos eu tenho.

Uma pequena observação: essa história de que gostamos mais de quem nos “maltrata” é lorota. Pelo menos a mim não se aplica. Então, custa-me crer que os homens realmente prefiram uma poderosa malvada a uma romântica boazinha. Estou certa ou errada?

30.10.09

Contos pra te contar. [2]

Mais um da série Contos pra te contar.Gente, essa, é só mais uma tentativa de escrever ficção. Não esperem muito, por favor. Tenho outros contos, mas, são mais longos e fica complicado postar aqui. Quem sabe um dia crio coragem, dou a cara a tapa e publico.

Esse aqui conta três momentos na vida de Luísa. Quem é Luísa? É uma personagem fictícia baseada em algumas situações, digamos, reais. Gosto disso. Basear as histórias em algo que aconteceu a mim ou as pessoas que me rodeiam. Sei que isso demonstra o quanto ainda sou amadora, porque afinal, o bom escritor simplesmente cria, sem precisar de situações base. Mas, é isso aí. Tento, tento, tento e um dia chego lá.
Espero que gostem!

Grande abraço!

Três vezes Luísa


Pedaços

Foi em um jorro de palavras. Tudo que havia dentro, ela colocou para fora. Sem medidas. Sem espaços. Sem respiração. Falou até não se lembrar de mais nada para justificar o que estava fazendo.

Seu peito estava esmagado.Sentindo cada pedaço da dor que o outro sentia. Abriu os olhos e tudo que conseguiu enxergar foi um manto turvo. Tentou piscar para assimilar o que via. Eram suas lágrimas que teimavam em continuar lavando seu rosto. Lágrimas de dor, sofrimento e frustração. Ela só queria sentar, abraçar os joelhos e ficar ali por tempo indeterminado.

Ficou parada, olhando as luzes distantes de onde ela estava. Ele continuou parado. Ela esperou que ele fosse embora, que a deixasse lá com suas lágrimas. Mas, ele permaneceu ao seu lado. Puxou-a para um abraço. O abraço que ela tanto gostava. Ela recomeçou a chorar. O abraço se desfez. Era a certeza do fim.

Luísa andou sem olhar para trás. O coração sofrendo a dor de alguém. Pensou que o melhor a fazer era fechar-se dentro de si. Ficar longe. Ou melhor, poderia desaparecer. E aí, seria como se nunca tivesse existido.


xxx

Reconstrução

Caminhando pela praia, Luísa deu seus últimos passos naquela que tinha sido sua vida. Olhou o sol que já teimava em esconder-se no horizonte e buscou enxergar o sentido de tudo aquilo. Não conseguiu. Não havia sentido para ser visto. E esse era o maior problema para ela, buscar sentido em tudo.

Sentou-se na areia quente e ficou observando o vai e vem incessante das fracas ondas do mar. Olhou o horizonte. Parecia mesmo infinito. Suspirou e relaxou os ombros. Sentia como se toda a tensão do mundo estivesse alojada sob suas costas. Respirou. Suspirou. Repetiu o processo diversas vezes. Por fim, conseguiu relaxar. E talvez até demais, porque sentiu vontade de dormir.

Ali, deitada sob a areia quente e molhada ela adormeceu. Sonhou sonhos possíveis. Acordou com a água morna molhando suas costas. Levantou sorridente e caminhou com a roupa pingando. Sentiu vontade de rodopiar. Quem estava a sua volta nada entendeu. Ela não parecia fazer sentido. Ela já não queria mais fazer sentido.

Foi aí, que decidiu recolher os pedaços. Aqueles que ela havia deixado de lado. Aqueles que doíam só de olhar. Aqueles que ela havia inutilmente tentado ignorar por um tempo. Mas, que agora, era necessário juntar.

Nem sabia por onde começar, mas, foi seguindo seus instintos. Catou cada pequeno pedaço escondido. E em alguns momentos conseguiu surpreender a si mesma. Como era possível que ela tivesse permitido se despedaçar daquela maneira? Insensata. Havia coisas que nunca mudariam e ela enfim se dava conta disso.

No final de sua busca, já exausta, decidiu deitar. Mas, não conseguiu dormir como naquela tarde. Levantou a cabeça do travesseiro e olhou a pilha no chão. Era chegada a hora de reconstruir o caminho, pensou. Era chegada a hora de reconstruir ela mesma.

Levantou da cama e sentou ao lado dos pequenos pedaços que ela reconhecia tão bem agora. Começou a montar o quebra-cabeça de si. E a cada peça que conseguia juntar, sorria satisfeita.

Era sua própria existência que estava em reconstrução.



xxx

Recomeço

Aquelas ruas pareciam mais familiares do que nunca. Cada passo era dado com uma indescritível sensação de leveza. Olhava atentamente cada detalhe, como que para ter certeza de tudo. Fotografava com o olhar, rostos, prédios, folhas caídas no chão. Todos os mínimos e pequenos movimentos.

Decidiu parar. Sentou em um banco e deixou que a brisa leve e refrescante batesse em seu rosto. Olhou o céu azul. E ele tinha um azul tão claro, que mais parecia branco. Reparou nas gordas nuvens que passeavam tranquilas e ficou pensativa.

Às vezes, ainda não acreditava na rapidez com que tudo aquilo havia acontecido. Parecia surreal, mas era real. Ela tinha sua vida de volta. Alguém a havia presenteado com a chance de um recomeço.

Fez uma viagem mental e vasculhou o passado recente para ter algumas certezas. Não havia deixado nada para trás. Ou pelo menos, nada que estivesse mal resolvido. Pela primeira vez havia conseguido fazer as coisas acontecerem dentro de um sincronizado começo, meio e fim.

Sentiu uma pontada de satisfação. A mesma que sentimos quando conseguimos concluir uma tarefa que nos é dada.

Luísa sabia que ainda havia muito para ser feito, mas, já não tinha pressa. Era como se tivesse todo o tempo do mundo nas mãos. Não queria correr, nem apressar nada. Desejava sentir tudo, cada gosto, cada cheiro, cada sensação, todos os sentimentos. Tudo muito lentamente. Para que pudesse enfim, aproveitar o que a vida vinha constantemente oferecendo a ela.


Outros Contos pra te contar:

19.10.09

Amor, filmes e algumas considerações.


Amor. Cada um vê de um jeito, sente de outro, recebe de maneira diferente. E por conta disso, se a gente quiser, dá para classificar o amor em gêneros. Que nem de filme, sabe? Daí, se a gente analisar o sentimento por esse ângulo. Bom, acho que a vida amorosa fica meio parecida com uma Blockbuster


Ok. Se isso soou muito estranho para você, eu explico. Veja se você entende qual é a dessa teoria que suponho não ser inédita. Mas, que ainda não foi discutida por aqui.

Quando a gente entra na locadora, geralmente é guiado por plaquinhas nas prateleiras, certo? E vai se esgueirando pelos corredores cheios de títulos até encontrar o gênero desejado. Comédia, romance, aventura, terror, enfim, é filme para todos os gostos e desejos. A não ser que a locadora que você costuma ir seja uma daquelas bem “meia-boca”. Assim, como os lugares que você frequenta no intuito de encontrar um amor. Aí a variação é bem menor. E a chance de escolher algo bom também.


Supondo que sua locadora amorosa tenha uma variedade grande. Qual dos gêneros abaixo você costuma escolher mais?

Aventura
Quem escolhe esse gênero, de certo quer sentir alguma emoção mais eletrizante. Esse vem recheado de escapadas rápidas no horário de almoço. Encontros furtivos no meio da madrugada. Lugares exóticos ou pouco frequentados. É aquele tipo de “romancezinho” ou paixão súbita que enlouquece sua cabeça. Tira você da zona de conforto e bagunça sua vida. E geralmente vem com o extra ‘perigo’. Muito apreciado por amantes e pessoas que por algum motivo precisam manter  a relação em segredo. Ou até mesmo por quem não está muito afim de compromisso. De qualquer maneira, uma boa aventura é sempre saudável. Mas, no final das contas essa falta de rotina que o gênero proporciona, acaba por cansar. Principalmente, porque uma das partes sempre começa a desejar certa estabilidade emocional.

Suspense
Tem gente que gosta de viver sempre na expectativa de ser surpreendido, não é? E aqueles que estão sempre prontos para levar um susto. Ou mesmo, para ser pego em uma rua escura por um assassino de corações indefesos. É o tipo de pessoa que se torna amante desse gênero. Batimentos cardíacos acelerados, suor frio, medo e arrepios fazem parte desse enredo. Aqueles que não gostam de jogo gato-rato geralmente ficam longe desse tipo de relação.

Terror
Aqui, uma extensão do suspense, mas muito mais apavorante. São histórias de amor que geralmente começam bonitas.  Mas que com o tempo, vão exigindo muita coragem para serem levadas em frente. São aquelas relações abusivas, em que a falta de amor-próprio predomina. Alguém sempre sai muito machucado. E o culpado nem sempre é “punido”. Além disso, ele (o culpado pelo coração partido) quase sempre sai por aí aterrorizando mais pessoas. Tipo Serial Killer mesmo, sabe. Os corações sensíveis são os que mais sofrem com esse gênero. Esse machuca até quem assiste.

Cult
Conversas infindáveis sobre os conceitos abordados em filmes e músicas. Programas alternativos. Intelectualidade à flor da pele. Esse é um dos gêneros menos apreciados pela maioria. Afinal, requer muito mais conteúdo do que o contato físico em si. E, geralmente as pessoas estão mais interessadas em pegar umas as outras do que propriamente passar a noite em um bate papo cabeça. Os geeks e nerds podem se identificar. Eu, particularmente acho esse gênero interessante, mas, desde que devidamente balanceado entre o “conversa-pega”.

Drama
Ah, o bom e velho drama. Tá aí um dos mais assistidos (vividos, no caso). Tem gente especializada nesse tipo de história. Lágrimas excessivas, arroubos sentimentais, trilha depressiva e corações magoados. Esse é o recheio perfeito para o relacionamento de quem não consegue passar muito tempo longe do sofrimento. Um gênero assim, nem sempre tem um final feliz. Na verdade, quanto mais triste o final, mais a história é vista como bela. Desse, eu passo muito bem sem.

Comédia
Muito diferente do drama, esse é só alegria. Até demais. Levar tudo muito na brincadeira pode ser extremamente desagradável. Principalmente quando alguém quer discutir a relação. Problemas constantemente tratados de forma displicente, tendência a disfarçar a tristeza com uma falsa alegria e uma luta constante para manter uma conversa séria, são as características mais chatas desse tipo de relação. Pode até ser divertido no começo, mas, se não tem uma boa direção, pode acabar com a indicação para  um Framboesa de Ouro. Ou seja, um pé na bunda.

Romance
Água com açúcar, contos de fadas e “felizes para sempre” são traços marcantes aqui. E esse talvez seja o gênero mais requisitado pelas mulheres. A gente olha aquele resumo bonito, gosta da foto na capa e pronto, escreve logo uma história linda e longa de amor na cabeça. Esse é perigoso. Cria ilusões e tende a afastar as pessoas da realidade. Mas, em contrapartida faz bem para o coração. E de vez em quando, por que não? Só não vale ficar frustrado quando descobre que o romance real está bem distante daquele dos sonhos.

Comédia romântica
 Meu gênero favorito. Uma história de amor, com pitadas de humor e um toque de sensualidade. Perfeito. Diferente do romance água com açúcar, esse aqui tem mais foco na vida real. E por isso mesmo é o mais saudável. Viver um romance é o que quase todo mundo deseja e se ele vem acompanhado do bom senso, melhor ainda, certo? Recomendo.

Bom, é isso aí gente. Foi viagem demais? Espero ter retorno de vocês a respeito. Ah, e por falar em retorno, tem muita gente bacana mandando cumprimentos pelo Orkut, Twitter e e-mail. Acho isso muito legal. Qualquer retorno para mim é válido, viu. Desde já, agradeço todos aqueles que têm a paciência para preencher o dados para comentar.  E também a todos que de uma maneira geral, dão um jeitinho de me dizer o que acharam.



15.10.09

Não se fazem mais alunos como antigamente.

Professor. A pessoa mais importante na sua vida depois de seus pais. Para alguns, até mais que isso. A verdade é que essa figura clássica tem ou teve um papel essencial na estrutura educacional e familiar de muita gente.

Mas, em tempos que o aluno se transformou no foco das atenções para a Educação, o professor tem perdido sua aura de mestre. Aquela magia que existia quando estávamos aprendendo se extinguiu. E o conceito de ensinar muito além de meras disciplinas tem sido podado.

O que conseguimos ver atualmente, no geral, são professores cansados, desestimulados e frustrados. Porque, afinal de contas, o próprio Sistema Educacional contribui para que isso aconteça. Paga mal e oferece pouco ou nenhum suporte para esses profissionais. E vale lembrar que as escolas particulares também não estão muito longe dessa realidade.

Bom, mas pensar em professor, também nos faz pensar em alunos. Alunos que fomos. Alunos que somos. Os alunos de ontem e hoje. E consequentemente, os alunos de amanhã.

Nos meus tempos de escola, especialmente da antiga alfa até a quarta série, os alunos tratavam os professores de outra maneira. Era quase uma adoração por aquela pessoa que estava ali na frente ensinando não apenas a ler e escrever, mas a viver. Óbvio, que quando criança essa noção de “ensino para a vida” não é clara. Mas, me lembro bem da reverência e respeito que existia, inclusive fora das estruturas escolares.

Por favor. Obrigada. Com licença. Posso ir ao banheiro? Posso tomar água? Sim, senhor (a). Eram algumas das palavras que dirigíamos solenemente àqueles que até costumávamos chamar “tio” / “tia”. E até no Ensino Médio, onde os adolescentes dominavam, esse respeito era mais evidente. Lógico que tinham aqueles alunos mais rebeldes que davam uma ou outra resposta malcriada. Mas, no geral, todos eram mais respeitosos.

E o que vemos hoje? Caramba. Sinto que faltam palavras para descrever o descaso de muitos alunos com os professores. Eles estão cada dia mais especializados em humilhar, denegrir e infernizar e até agredir a vida de quem, com toda boa vontade, se dedica a ensinar o que sabe.

É inacreditável a capacidade que alguns têm para fazer de uma aula uma tortura física e mental. As conversinhas paralelas que sempre foram comuns, agora se tornaram intermináveis bate-papos. A nota final é o foco (e com essa média ínfima que algumas escolas determinam estudar pra que, não é?), o que os faz prestar menos atenção na aula. Cadernos e livros nem são mais acessórios tão usados. O negócio é levar o celular para ver vídeos ou ipod’s para ouvir música. E a voz de autoridade do professor? Bom, isso aí virou motivo de chacota. É isso mesmo. Chacota. Imaginem só uma sala com 40 alunos que não param de falar e ainda tem a coragem de dizer “Ué professor, o senhor não põe moral, por quê?”. Dá para acreditar?

Enfim, a verdade meus caros, é que não se fazem mais alunos como antigamente. De qualquer maneira, acho que os professores também não. Mas, mesmo assim, eles merecem não apenas homenagens padronizadas. Lembrancinhas com frases feitas que estão longe de caracterizar o real valor que têm. Professores merecem acima de tudo respeito, consideração e carinho. Afinal, são eles que nos dão grande parte do preparo que precisamos para sermos os profissionais que somos. Quiça, as pessoas que nos tornamos.

Deixo aqui os meus singelos agradecimentos a todos que foram meus professores. Todos eles. Desde a tia Bárbara que me ensinou a escrever minhas primeiras palavras. Até os caras, com todo respeito, fodas, que já na faculdade me iniciaram no mundo publicitário. E, claro, não posso deixar de agradecer aquela que, além de mãe, um dia já foi de fato minha professora. Obrigada. E que o respeito volte a fazer parte da grade curricular.

Filminhos básicos para assistir no Teacher’s Day:





30.9.09

Mudanças.

Mudanças. Assustam alguns. Encantam outros. Encorajam e desencorajam a muitos. Em geral me delicio com a possibilidade de mudar os ares. Ter a possibilidade de recomeçar é como uma droga para mim. E é nisso que me apoio constantemente quando faço planos. Eu sempre tenho certeza de que tudo é passível de mudanças e que quase sempre há chance para o recomeço. Claro, essa é uma maneira muito particular de pensar e não há motivos para que eu queira convencer ninguém a esse respeito

Bom, mas antes de divagar a respeito do que quer que seja, primeiro venho me desculpar. Este blog esteve praticamente abandonado apesar de eu ter um monte de coisas para escrever. Confesso que gostaria de ter mais disciplina a esse respeito, mas andei desorganizada em relação ao tempo. E atordoada com o turbilhão de mudanças que entrou em minha vida. Mas, como sei que ninguém vem aqui interessado em ler nada a respeito de minhas particularidades, não vou me perder em pormenores. Só me desculpem pela ausência, por favor.

Mas, voltando ao assunto, como seria a vida sem mudanças? Como será que seríamos se tudo corresse em um mesmo traçado reto sem nenhuma curva sinuosa? A primeira coisa que me vem a cabeça é tédio. Sim, acredito que nossa existência em primeiro lugar seria infinitamente tediosa. Acredito também na estagnação. Afinal, nós não sentiriamos a necessidade de buscar o novo e consequentemente não evoluiriamos como pessoas.

A mudança nos força a repensar aquilo que acreditamos imutável. Nos faz questionar o outro, as suas atitude e postura. E as vezes, ela vem ladeada por sofrimento, principalmente se somos apegados às nossas convicções. Algumas pessoas lutam bravamente contra. Prendem-se por suas raízes fortemente fincadas naquilo que acreditam. Mas, no final das contas, somos todos, irrevogavelmente, tomados por ela. E, quando olhamos para trás, muito tempo depois de ter sofrido com a falta de entendimento, podemos enfim, enxergar que toda mudança é positiva.

Mudar de cidade. Emprego. Amor. Crenças. Convicções. Não importa se voluntária ou involuntariamente, as mudanças sempre tem um propósito. E eu acredito que todos devemos ficar abertos a elas. Aceitá-las como presentes. Dádivas. Não sem questionar, é claro. A ideia não é aceitar tudo passivamente. Mas sim, com a alegria de saber que de alguma maneira você tem a sua chance de recomeçar. Seja para refazer alguma coisa que deu errado. Ou fazer algo que antes parecia não ser possível.

Sua vida está mudando agora mesmo. A minha então, nem se fala. Sendo assim, não há motivos para continuar parado. Mexa-se. Ponha-se em atividade agora mesmo. E se as mudanças que você espera não chegaram ainda, vá atrás delas. Ou, se você tem se escondido para que ela não o alcance, aconselho-o a dar uma espiadinha que seja no que uma boa mudança pode fazer por sua vida.

Um abraço! E até o próximo texto, que eu, sinceramente, espero não demorar.

8.9.09

Era tudo o que eu queria dizer.

É engraçado pensar nas coisas que a gente quer dizer quando a oportunidade de dizê-las já passou. Comigo acontece sempre!

Todas as vezes em que discuto algum assunto é a mesma coisa. Não importa o motivo, eu nunca sei quais as palavras certas para dizer em minha defesa. E também não importa o quanto eu estou convicta disso. Na hora exata, as palavras fogem de mim.

Imagino que isso já deve ter acontecido com todo mundo. Pelo menos, eu acho que ninguém esteja sempre tão preparado assim. De qualquer maneira, acredito que todos que já passaram por isso, hão de concordar como é frustrante só pensar no que dizer quando tudo já aconteceu. E mesmo que haja uma nova oportunidade, as palavras nunca terão o mesmo efeito.

Quantas vezes, depois de ter perdido uma batalha verbal fiquei ensaiando mentalmente um longo discurso. Imaginando como teria me saido melhor se tivesse dito exatamente daquele jeito. O quanto eu sairia triufante. No quanto o outro me daria de créditos por ter colocado minha opinião de uma maneira tão sensata. Mas, o fato é que geralmente, só ganho desse jeito quando discuto comigo mesma. (risos).

Mas, por favor, não pense que quem vos escreve seja alguém do tipo "Princesa Super Poderosa" (quem um dia já perdeu tempo assistindo PowerPuff Girls sabe de quem estou falando). Não quero discutir a questão de que sempre pretendo ser a "certa". A ideia é entender por que quando estamos realmente certos não conseguimos mostrar isso da maneira correta? Acho que muita gente deve se fazer a mesma pergunta.

E aí? Alguma situação assim para me contar? Como você costuma reagir quando as palavras te faltam? Acha que no final das contas o que não foi dito terá sua oportunidade quando for mesmo a hora de se dizer? Enfim, opiniões. Compartilhem comigo.

P.S. Eu sei, deve parecer estranho que alguém que se propõe a escrever um blog demore tanto para postar novos textos. Eu penso em milhões de coisas para escrever aqui. Tenho muitas ideias e tal. E adoro quando alguém cobra presença. (risos). Mas, sabe como é, o texto sempre sai mais verdadeiro quando eu escrevo sobre algo que me ocorre. Isso, porque ainda sou uma amadora. Mas, espera só eu ter mais prática e vocês verão eu escrever sobre qualquer coisa que seja realmente interessante postar aqui.


25.8.09

Não mate o adolescente que vive em você.

Só pra começar, devo dizer que esse texto será mais uma confissão, do que exatamente uma discussão sobre determinado assunto.

Sempre fui muito romântica e quando adolescente isso foi ainda mais forte. Assistia todas as comédias românticas possíveis, escrevia diários, fantasiava amores, sonhava acordada com situações que nunca cheguei a vivenciar – não exatamente daquela maneira, é claro. E acho que foi mais ou menos aos 18 anos (muito normal, diga-se de passagem) que eu deixei morrer uma parte dessas de mim. Para ser mais específica, foi depois de receber constantes negativas a esse respeito. Alguém me disse que eu tinha uma visão romântica demais da vida e sofria do “Complexo de Cinderela”. E era verdade.

Depois disso, passei a ser mais realista. As experiências que se seguiram ficaram cada vez mais longe da fantasia romântica adolescente. Sofri menos por amor. E as relações foram muito mais pautadas pela razão do que pela emoção (nem todas, claro). Isso foi bom? Sim, por um lado, foi bom. Quando você é mais racional, digamos que tem mais controle sobre o que sente, se entrega menos e teoricamente, se machuca menos quando alguém não corresponde às suas expectativas. Em contrapartida, ficamos mais secos, desconfiados, desinteressados e até “antirromânticos”. Na verdade, o ideal mesmo, é encontrar um meio termo. Que é exatamente o que ando tentando fazer.

Bom, mas como eu disse no começo, esse texto é de fato uma confissão. E o que me levou a escrevê-lo foi o quanto tenho me sentido extremamente adolescente depois de assistir Crepúsculo(o primeiro de quatro livros que contam um amor entre uma humana e um vampiro que virou filme em 2008). Sei que grande parte dos meus amigos me chamarão de tola, vão rir e dizer que a irmã, prima, vizinha de 15 anos que gostam disso, etc. Mas, preciso confessar. Estou extremamente viciada nessa historinha batida de amor. E olha que é com um tremendo atraso, porque isso já é febre entre os adolescentes há um bom tempo. Detalhe, não satisfeita com o filme, vou ler o livro no qual foi baseado. E se bem me conheço, vou querer ler todos os outros também. (risos)

Ah, só mais uma coisinha. Mais uma confissão. Além de assistir o filme, pedir o livro emprestado, baixar trilha sonora e pesquisar horrores a respeito na internet, ainda tive a pachorra de comprar uma Capricho. É, Capricho! Fazia muito tempo que eu nem olhava para ela na banca de revistas. Mas, posso ser sincera? Gostei disso. Gostei de me sentir assim de novo. Me empolgar com algo, mesmo que tolo. E foi muito bom ressuscitar a adolescente assassinada por mim aos 18 anos.

P.S. Texto postado ao som da trilha sonora de Crepúsculo. (Pode rir. Eu deixo!)

Para quem "ainda" não viu o filme, aí está o trailer.

18.8.09

Quando foi que ficamos tão insensíveis?



Um dia desses assisti um vídeo* que faz parte de uma interessante campanha de conscientização. Ela trata da falta de sensibilidade do ser humano, principalmente quando adulto, diante das mazelas sociais. Nesse caso em particular, trata sobre o abandono e o trabalho infantil. Mas, este é apenas um exemplo dentro de uma gama de outros que merecem ser observados.

Deixando de lado qualquer discurso demagógico a esse respeito, acredito que o abandono seja o pontapé inicial para essa discussão. Família, amigos, comunidade, governo, não importa. O ato de abandonar alguém a própria sorte - mesmo que essa pessoa tenha possibilidades de em algum momento tomar conta de si - é o primeiro sinal de que cada vez mais o ser humano tende para a insensibilidade.

Obviamente, temos sempre um discurso pronto para justificar nossa falta de ação. “É um problema social, então, o governo que resolva”, “Ah, alguma coisa essa pessoa fez para merecer essa situação. Deve ser para pagar seus pecados” ou “Se a gente parar para pensar nesse tipo de coisa, enlouquece” e assim por diante. Vamos passando o problema para frente e dizendo “Epa, isso aí não é comigo não!”.

Crianças pedindo esmola ou sendo obrigadas a trabalhar nas ruas, enquanto podiam brincar e estudar ou simplesmente ser criança. Idosos relegados ao esquecimento em asilos, a maus-tratos dentro do lar que ajudou a construir ou até mesmo vagando pelas ruas sem o descanso que a idade o fez merecer. Mães arrastando seus filhos pelas ruas com olhos de fome, implorando compaixão e caridade. Doentes mentais sendo rechaçados, servindo de brinquedo nas mãos de pessoas que não imaginam que um dia possam passar pelo mesmo transtorno. Imagens nada incomuns que povoam nossa realidade, não é mesmo?

Todos os dias nós acompanhamos situações como essas. Seja nos meios de comunicação, na rua, na escola, no trabalho, na casa do vizinho ou até mesmo dentro de nossa casa. E geralmente fazemos o que? Alguns se indignam, outros lamentam, mas a maioria não faz nada. Isso mesmo, nada. E não porque não pode, mas por acreditar que o que vai fazer é pouco demais. Acaba que quase ninguém age de verdade e alguns problemas que são pequenos tomam proporções muito maiores.

Acredito que o sofrimento humano anda tão banalizado que o próprio ser que o sente despreza o que está sentindo. A violência, a fome, a falta de educação, a discriminação, o abandono, a esposa espancada, a criança que pede pra olhar o carro e o velhinho dormindo na calçada tem seu foco desviado para outras atenções. Nós passamos a nos atentar muito mais para os escândalos do Senado, às acusações de mau uso da fé nas Igrejas, ao time que vai mal no campeonato, a reviravolta que vai acontecer na novela, enfim, a qualquer coisa que não nos faça ter que observar as desgraças humanas.

Claro, não estou dizendo que devemos ficar “bitolados” com a condição humana. As mazelas sempre existiram e continuarão a existir. Mas, é constrangedor perceber como algumas coisas estão se tornando invisíveis para nós. Que quando nos tornamos adultos ficamos com a capacidade de enxergar apenas aquilo que queremos ver. E que ainda por cima, muitos de nós escolhem ficar cegos.


*Vou procurar o vídeo para linkar aqui.

Posts similares:


P.S. Quem tiver dicas de textos similares, por favor, me indica! =)

2.8.09

"Ó mágoa revisitada".


“Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!”


Ninguém melhor que os poetas para descrever e escrever sobre ‘mágoa’, não é mesmo? Aliás, esse é um sentimento tão bem representado que pode soar até um pouco pretensioso que eu escreva a respeito. Porém, como estou em um constante processo de aprendizagem e treinamento, me arrisco a tratá-la como um assunto corriqueiro, o que de fato é. Afinal, está tão presente no dia-a-dia das pessoas, entranhada na pele de muita gente e sufocando tantas outras que achei que valia muito a pena a tentativa.

Não venho aqui escrever um texto piegas e muito menos romântico. A mágoa já foi muitas vezes descrita dessa maneira. Aqui, eu quero falar da mágoa que corrói as pessoas diariamente, aquela “magoazinha” que alimentamos e achamos não ser nada, mas que quando nos damos conta já tornou nossa vida obscura. 

Bom, mesmo fugindo da pieguice e do romantismo escrachado entendo ser impossível falar de mágoa e não falar de amor. Mesmo porque, em tantos e tantos casos, amor e mágoa andam de mãos dadas, confundindo, amargurando e destruindo muita gente. Afinal, quem nunca guardou mágoa de um amor mal resolvido ou não correspondido? 

Sentir-se magoado é coisa normal. O que acredito ser ruim é alimentar esse sentimento. As pessoas sempre vão nos magoar. Ninguém é perfeito, afinal de contas. O que a gente não pode é permitir que essa sensação ruim deixada pela mágoa vá tomando de conta das nossas relações pessoais. Porque é incrível a capacidade que o ser humano tem de encontrar espaço dentro de si para ir entulhando esse tipo de coisa.

Faz algum tempo, venho observando como nós alimentamos a mágoa. Ela começa como uma reação a algo que nos tenham feito, como uma ofensa, traição, uma palavra trocada em um momento ruim, uma interpretação errada de uma ou outra atitude, enfim, tudo aquilo que consideramos desagradável na conduta alheia perante nós. Algumas pessoas tem uma grande facilidade para perdoar e até para esquecer tais “incidentes”. Outras perdoam, mas seguem a risca o ditado “perdoar, não é esquecer” e preferem seguir suas vidas sem mais ter que voltar a falar com que lhe causou a mágoa. E a maioria, em contrapartida, não perdoa, não esquece e ainda alimenta a mágoa.

Eu, particularmente, não sou nenhuma Madre Teresa de Calcutá ou outra santa do gênero, mas, em quesito “Perdoai-os eles não sabem o que fazem” eu até que me saio bem. (risos). Mágoa tem pouco ou nenhum espaço na minha vida. Porque, afinal de contas, é um sentimento que fica muito bem em letras de músicas, poemas e até sendo encenada por atores em um palco, mas, na vida real, sinceramente, não tem nenhuma serventia.

28.7.09

A crise alcançou a criatividade.

Sempre pensei em criatividade como algo natural do ser humano. Ou você nascia criativo ou passaria a vida inteira tendo ideias medíocres. Enganei-me. E duas vezes.

Sim, existem pessoas com uma facilidade enorme para ser criativo. E usam a criatividade natural para diversos fins. Tornam-se artistas brilhantes, empresários de sucesso, grandes políticos, engenhosos ladrões e pérfidos assassinos.

Também tem aqueles que desenvolvem a criatividade a partir de muita leitura, observação e curiosidade. Afinal de contas, ser criativo não é apenas ter ideias soltas. É criar conceitos.

Quando escolhi fazer PP, já escrevi sobre isso por aqui antes, eu acreditava que era uma pessoa naturalmente criativa. E passei os anos de faculdade crendo nisso. Engraçado é que nunca me toquei que ser criativo no mundo publicitário não é só ter uma boa ideia. Aliás, uma ideia para ser boa precisa de argumento e consistência. E isso não surge como um insight em uma noite de sono. Surge com muito estudo e dedicação.

Pensando a esse respeito, percebi o quanto saímos despreparados da faculdade. Claro que parte do despreparo é por conta do aluno, que muitas vezes troca as aulas pelos famosos churras ou botecos da esquina (o que não é o meu caso, diga-se de passagem. risos). Mas, as aulas puramente teóricas não chegam nem perto da realidade de uma agência ou qualquer outro local de trabalho. Nesse ponto, que estágios são sempre muito importantes para a construção de qualquer carreira.

A verdade é que aula nenhuma nos prepara para a realidade do mercado de trabalho. Nenhuma aula de Redação me preparou para as horas que eu passo batendo cabeça pensando em títulos que serão reprovados até estarem realmente bons. Em nenhum momento os prazos para entrega dos trabalhos aos professores se comparam aos prazos que o Atendimento oferece para o deadline de um anúncio ou campanha. Enfim, realidades quase opostas.

E o que isso tem a ver com ser ou não criativo, que é o tema inicial desse post? Bom, depois de uma semana em crise de criatividade ficou muito claro pra mim que:

1. Eu não nasci naturalmente criativa.
2. Tenho que ler muito, observar e “curiar” se um dia quiser fazer bons trabalhos.
3. Eu deveria ter me formado em Jornalismo. (risos)

Mas, como não sou naturalmente criativa e está fora de cogitação começar uma nova faculdade (pelo menos por enquanto). Resta-me fazer o que os camaleões fazem, adequar-se. Ou seja, ler e ler muito. E não é qualquer leitura não. É leitura boa! rs Como diz meu namorado "Você tem que ler Platão". Brincadeiras a parte, a leitura é de fato extremamente importante na busca pela inspiração. E a conexão constante com as informações que mudam a todo instante, também. E só pra começar, em nome da criatividade perdida (ou seria, nunca encontrada?), eu, “a investigadora solene das coisas fúteis” dei uma busca pelo que há de mais atual pelo mundo nesse mesmo instante:

...
A recuperação do Massa. Moradores protestando contra as enchentes no Paraná. Dunga divulga lista para o amistoso. Um relatório do Senado deverá pedir demissão de 100 servidores. Na novela Caras e Bocas Cássio é pedido em casamento (CHOQUEI! risos). USP, Unicamp e Unesp adiam aula por causa da gripe. Fani lança diário secreto com fãs no Rio (ãnh?!). Backstreet Boys prometem voltar com cd novo até outubro (Nãooo... Por favor, não!)
...

É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, né? Mas é isso aí... Quem deseja criar, ter boas ideias, tem que saber tudo o que interessa e até o que desinteressa. E eu, estou muito interessada em saber o que você pensa a respeito. Comenta aí!
E quando quiser, conheça meu trabalho.

14.7.09

Eu quero um quarto com porta.

Quando somos crianças, em geral, adoramos a casa cheia de gente. A primaiada mais nova correndo adoidado pelo quintal, as tias fofocando suas intimidades, a vó cozinhando aqueles quitutes deliciosos, os tios gritando na sala por causa do futebol, o vô contando suas velhas histórias, enfim, aquela farofada que só quem tem uma grande família pode entender.

É uma delícia ver todos ali reunidos, porque aquilo ali é sua proteção, seu refúgio contra o resto do mundo caso ele queira lhe fazer algum mal. É a alegria, a diversão, o reconhecimento entre os seus, a doçura, o amor.

Daí, a gente cresce. Expande os horizontes. Cria laços com o mundo que antes nos parecia assustador. Mora com muita gente de novo. Ou com gente nenhuma. Descobre o doce e o amargo que é morar só. E esse “só” abrange toda e qualquer situação de moradia longe da casa dos pais.

Nesse processo, algumas pessoas tornam-se extremamente expansivas, outras mais reservadas e outras, como eu, alternam entre momentos de “multidão e solidão”, ou seja, até gosta de uma baguncinha, mas querem e se acham no direito de ter seus momentos dignos de privacidade.

É assim mesmo. Tem gente que depois que cresce continua ali, com a família. Outras caem no mundo para viver só. Uns ficam onde estão para sempre. Outros trocam de lugar. E outros voltam para onde começaram que é o meu caso.

Família. Proteção. Crescimento. Expansão. Recato. Multidão. Solidão. Ir. Voltar. Continuar. Recomeçar.

Quando você volta a morar com sua família, depois de anos fora de casa, essas palavrinhas aí ficam todas misturadas. Para algumas pessoas não, é claro. Mas, como estou falando de mim, faz muito sentindo. E essa confusão toda é só pra expressar o quanto eu preciso de uma porta no meu quarto. (risos)