10.11.10

Você venderia sua alma?

Quando escolhemos uma profissão, especialmente por afinidade, tudo que desejamos é alcançar o sucesso. Tem gente que chega lá com muita facilidade, seja por mérito ou o famoso QI. Em contrapartida, há aqueles que não conseguem chegar a lugar algum sem ralar muito, correr atrás e ficar em uma constante busca por aperfeiçoamento profissional.

Pergunta: onde começam as diferenças, quando o caminho iniciado é praticamente o mesmo? Teoricamente, somos preparados pela faculdade, sendo ela excelente ou péssima, da mesma maneira. Claro, estágios em sua área e cursos extra-curriculares são um grande diferencial, mas o que eu estou falando aqui é como as oportunidades chegam até nós. Por exemplo, o indivíduo X tem mais êxito profissional que o Y, mas o primeiro chegou lá numa boa e o segundo teve que suar a camisa.

Agora, vou para a segunda pergunta: considerando que você se encaixe na mesma categoria que o camarada Y, aquele que não consegue exatamente nada sem o mínimo de esforço possível. O que você é capaz de fazer para chegar ao topo?

Esses são questionamentos importantes para eu entrar no assunto que realmente vim tratar nesse post. Esses dias, perguntei aos meus seguidores e amigos no Twitter e Facebook: “Você venderia sua alma para ter sucesso profissional?”. Foram respostas extremas, com Não’s e Sim’s bem enfáticos. Um debate bem divertido.

Bom, agora vamos ao que interessa. Não sei quantos de vocês já ouviram isso, mas há muito anos, escuto uma história macabra de que a famosa Rainha dos Baixinhos só alcançou todo o seu sucesso, após fazer um pacto com o famigerado Coisa Ruim, também conhecido como Capeta, Cão Miúdo, Demônio, Diabo, etc. Ou seja, reza a lenda que ela vendeu a alma em troca da fama. Ok, eu não acredito nisso! É uma lenda urbana, sem dúvidas. De qualquer maneira, creio que cheguei onde queria.

Você, que acredita na existência de um espírito, uma alma que transcende nosso corpo, venderia a sua em troca de sucesso profissional? Seria capaz de conviver com a certeza de que jamais habitaria o Reino dos Céus, ou seja lá para onde vamos quando morrermos, para arder eternamente no mármore do inferno sob o espeto do Capeta, só para alcançar o tão almejado lugar ao sol?

E quanto a você,  que tem certeza absoluta de que a alma não passa de uma balela inventada para convencer as pessoas a comprar terrenos no céu. Teria coragem de vender a sua “alma”, aqui no caso, sua dignidade e ideologias em troca de um passe para o alto escalão da classe trabalhadora? Deixaria para trás seus conceitos, pisaria em alguém, mentiria ou engoliria seu orgulho por um salário mais polpudo? Para ser “o escolhido”?

Eu, particularmente, ainda estou nos primeiros degraus da minha escalada profissional. Como muita gente, acredito que a maioria, faço parte do clubinho do senhor Y, aquele do começo do texto, e nada me chega de mão beijada. Tenho dado tropeços e cabeçadas por aí, por isso levantei essa questão da alma comigo mesma. Me fiz exatamente essas perguntas que lancei para vocês anteriormente. Fiquei pensando no que seria capaz de fazer para conseguir o que quero e cheguei a apenas uma conclusão, que pode soar completamente clichê, mas que me deixou em paz. Conclui que por mais que eu caia, sei que quando levanto, estou com mais força e preparada para tentar algo maior. Tenho a convicção de que, ao chegar lá, poderei sentir orgulho de mim mesma por não ter aceitado vender minha alma. A alma nos dois sentidos.

Para finalizar, quero citar dois posicionamentos a respeito da questão levantada. Eles sintetizam bem os extremos, a crença e a descrença, o etéreo e o palpável, o espírito e o corpo.

“A venda da alma ocorre quando você abre mão de algumas coisas ou valores que você acredita fundalmentalmente. Acredito que nós somos carne, alma e espirito. Basicamente.” (Rodrigo Furquim).

“Eu venderia sem problema algum. Alma não existe. Se alguém quiser comprar algo que não existe, venda né. Só deve ficar esperto com os recibos.” (Luiz Otávio Silva).

Revisão Felipe Rui.

14 comentários:

Patrick Roberto Carvalho disse...

Você, como sempre, inspirada e inspiradora. Primeiro falarei do estilístico, antes de entrar no supra-sumo do texto. A redação está fantástica. É um texto longo, mas não é cansativo, isso pela perfeitas analogias que fez e pelo tom descontraído, doses de irreverência.

Você está escrevendo cada vez melhor. É uma ótima redação, e usa todos os elementos de estilo para um texto moderno e amplo. A ideia de finalizar com duas citações pinçadas da tua pesquisa junto a interlocutores, ainda mais sendo opiniões contrárias uma da outra, foi um fecho de mestre.

Afora os confetes (Rs) passo ao tema:

Sim, percebi que tua pergunta no Twitter tinha um fundo, você não faz nada ao acaso. Tenho pra mim que és uma pesquisadora de ‘gentes’ e, assim sendo, teu trabalho não tem sono.

Vendemos a alma de várias formas e, às vezes diariamente. Digo isso por entender que a venda não se dá em troca de dinheiro ou de vantagens, mas sim das nossas concessões e até da nossa tolerância.

Somos talhados na vida a ferro e fogo, como você bem relatou. Nada cai do céu, e por saber disso a cruel realidade da vida prática trava confronto diário com as nossas convicções. Aos poucos essas vão sendo minadas e o nosso olhar embaçado por facilidades que imaginamos simplificar as coisas, mas que em verdade flexibilizam o que tomamos por elementar.

No campo profissional, sim, imagino muitos que possam ter vendido a alma, desviado-se do idealismo, das convicções. A estes, a vida reservou um outro papel, não mais o de protagonista, mas o de coadjuvante de si mesmo. Uma opção, que a nós, ainda firmes, pode parecer fácil julgar, mas que têm suas próprias razões e conformidades.

Que bom que podemos ainda respirar do alto de nossas verdades!

Abraço,

Patrick Roberto, jornalista, poeta, humano

Patrick Roberto Carvalho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lucimara Souza disse...

Gabi,
É muito triste quando se vê pessoas que alcançam "sucesso" profissional passando por cima de tudo e de todos.
Em prefeitura é o fim!!! Conheço bem essa realidade.
Muita gente desfrutando de cargos sem ter capacidade para tal.
Os bobos concursados, como eu, ralam, ralam e ralam... Só que com uma vantagem: não devo favor pra ninguém, não sou cargo político, não preciso passar humilhação e quando eu quiser mandar todo mundo pra pqp eu mando...
Bjs! Adorei!!!

Lívia Komar disse...

Oi querida, adorei o post de hj.
O sucesso profissional depende de sorte e empenho. E lógico, de gente sem vergonha passando a perna nos colegas de trabalho. Rs!
Bjos

Luiz disse...

Gabi, excelente texto. Quanto à minha posição, espero que você entenda que meu comentário no FB foi jocoso. Como não acredito em alma, nem no capeta, não vejo como isso poderia acontecer. Inclusive, caso o capeta aparecesse querendo comprar minha alma, teria que rever alguns conceitos, pois, talvez a alma existisse também.
Mas, falando dessa alma metafórica, embora na vida a gente tenha que fazer concessões, afinal, o aluguel vence todo mês, alguns valores têm de ser preservados a qualquer custo, sob pena de você se sentir como alguém que vendeu a alma ao capeta, mesmo que não existam.

Luilton disse...

Vender a alma é perder o sono tranquilo, sob o peso enorme que há na consciência.

O sono tranquilo é o que o ser humano pode ter como maior riqueza. É coisa que não se vende. E quem o faz, não se orgulhará disso.

Um abraço, @AnonimoFamoso.

Matheus Farizatto disse...

Concordo com o Furquim. Mesmo que não acreditem em alma, os valores existem.

Abrir mão desses valores é vender-se da mesma forma que gerar um boleto por sua alma.

Beijos, Gabi!!!
Matheus.

Petit Gabi disse...

Patrick,

Tuas palavras me emocionaram muito! Fico muito feliz quando alguém que entende tão bem sobre escrever, aprecie um texto meu. Dá uma super vontade de continuar escrevendo mais e mais.
Beijos!

Petit Gabi disse...

Lucimara ,

É sempre difícil aceitar que as pessoas se deem bem assim, sem esforço algum ou passando por cima dos outros. Mas, é como você disse: estando ciente da sua posição conquistada por luta e direito, você dorme sempre tranquila com a certeza de que não desviou do caminho certo.

Beijos!

Petit Gabi disse...

Lívia,

Não acredito em sorte. Aliás, quero não acreditar que somos levados de um lado para o outro como marionetes do destino. Mas, em empenho eu acredito e muito!
Quanto aos colegas safadinhos que passam a perna nos outros, tenho certeza de que um sono tranquilo eles não tem. heheheh

Beijos

Petit Gabi disse...

Luiz,

HAHAHA claro que eu levei na brincadeira, mas seu comentário no FB caiu como uma luva para o contraposto do meu texto.
Obrigada pelo incentivo de sempre!

Beijos

Petit Gabi disse...

Luilton,

É o que também acho! Não há dinheiro que pague um sono de paz.

Beijos!

Petit Gabi disse...

Matheus,

Acho que muito mais importante que discutir a existência ou não de uma alma, concordo com vocês que respeitar nossos valores é primordial.

Beijos!

Anônimo disse...

E se você tivesse que vender sua alma, sem ganhar nenhum bem material em troca(dinheiro, fama, e poder politico)?
E se a única coisa que você ganhasse em vender a sua alma eterna fosse o direito de permanecer vivo? Você venderia mesmo assim?
Prepare-se...
Isto esta mais proximo para acontecer do que você possa imaginar!!!

www.previnasedamarca.com/index_site.php

anti-illuminatisbrasil.blogspot.com/2012/03/nova-ordem-mundial-666-marca-da-besta.html

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