14.7.09

Eu quero um quarto com porta.

Quando somos crianças, em geral, adoramos a casa cheia de gente. A primaiada mais nova correndo adoidado pelo quintal, as tias fofocando suas intimidades, a vó cozinhando aqueles quitutes deliciosos, os tios gritando na sala por causa do futebol, o vô contando suas velhas histórias, enfim, aquela farofada que só quem tem uma grande família pode entender.

É uma delícia ver todos ali reunidos, porque aquilo ali é sua proteção, seu refúgio contra o resto do mundo caso ele queira lhe fazer algum mal. É a alegria, a diversão, o reconhecimento entre os seus, a doçura, o amor.

Daí, a gente cresce. Expande os horizontes. Cria laços com o mundo que antes nos parecia assustador. Mora com muita gente de novo. Ou com gente nenhuma. Descobre o doce e o amargo que é morar só. E esse “só” abrange toda e qualquer situação de moradia longe da casa dos pais.

Nesse processo, algumas pessoas tornam-se extremamente expansivas, outras mais reservadas e outras, como eu, alternam entre momentos de “multidão e solidão”, ou seja, até gosta de uma baguncinha, mas querem e se acham no direito de ter seus momentos dignos de privacidade.

É assim mesmo. Tem gente que depois que cresce continua ali, com a família. Outras caem no mundo para viver só. Uns ficam onde estão para sempre. Outros trocam de lugar. E outros voltam para onde começaram que é o meu caso.

Família. Proteção. Crescimento. Expansão. Recato. Multidão. Solidão. Ir. Voltar. Continuar. Recomeçar.

Quando você volta a morar com sua família, depois de anos fora de casa, essas palavrinhas aí ficam todas misturadas. Para algumas pessoas não, é claro. Mas, como estou falando de mim, faz muito sentindo. E essa confusão toda é só pra expressar o quanto eu preciso de uma porta no meu quarto. (risos)


7 comentários:

Jow disse...

eu queria até um quarto com uma saída secreta: daquelas que com um escorregão a gente cai de bunda no jardim.

Silvia Gonçalves disse...

Da hora o post...

Mas lembro-me que também há pessoas que mesmo cercada da família, se sente tão só quanto as pessoas que moram sozinhas....

Eita mundinho complicado onde não temos tudo o que amamos, mas amamos tudo o que temos!!

Bjos

Renato Alt disse...

Podemos voltar para onde começamos, mas nunca de volta ao começo; em tudo o que isso implica de bom e de ruim. Curioso ler esse texto, quando é um assunto que anda tão presente, também, pra mim.

Ou seja, vou fazer pra mim uma porta onde quer que eu esteja; nem que seja à marretadas.

Beijos.

Marco Aurelio disse...

Sou mais momentos de solidão, me sinto bem e em paz comigo mesmo. De vez enquando multidão.

Buááá!
saudade de república, mas feliz por comer comida que mamãe faz hehe

Rodrigo Furquim disse...

Bom, sempre me senti meio estranho na minha casa, por ser o que fugia do padrão comportamental dos demais, muita gente ou pouca gente na casa, nunca influenciou muito aquele pequeno sentimento de se sentir "sozinho na multidão". hoje de acordo com minha última média, trabalho cerca de 18h30, divididos em dois serviços e só volto pra casa para desmaiar, e ver um novo dia começar. Mas mesmo assim sinto falta da presença das pessoas, me acostumei a ser o estranho da casa e espero que essa fase workaholic passe logo.

Thomaz Ribeiro disse...

Fazer o quê? Família: se você não pode com eles, junte-se a eles.

Gabriela Silva disse...

Isso é deveras verdadeiro, Thomaz! O que há de se fazer, não é?

É sempre bom vir aqui e ver os comentários de vocês.=)

Grande abraço a todos!