15.12.10

Presente/Passado

Quando paro para esmiuçar o que me trouxe até aqui, ou seja, minhas atitudes, decisões, dúvidas e escolhas, sinto uma leve saudade e um grande alívio. Confesso que sinto falta de como eram algumas coisas. Tudo era bem mais simples na infância e não digo isso por causa da mordomia de morar na casa da minha mãe, mas sim porque conviver com as pessoas era mais tranquilo. Não tínhamos tanto medo, não éramos tão isolados em nossas fortalezas particulares e confiávamos mais uns nos outros. Sabe que quando lembro das conversas até tarde na porta de casa, das balas compradas na quitanda e até mesmo nos crediários em lojas de roupas, sinto que essa fase tranquila da vida ficou perdida em um tempo que jamais voltará.

Aliás, todo mundo que viveu sua infância entre os anos 70, 80 e um pouquinho dos anos 90 sabe do que estou falando. Ninguém pode negar que lembrar dessa época traz um gostoso sentimento de nostalgia, não apenas por remeter às lembranças infantis, mas porque existia uma aura de encantamento que hoje está desfeita. Longe de mim fazer comparações, mesmo porque a realidade é outra, mas converse com uma criança hoje e verá que não estou exagerando. Obviamente, a felicidade para elas existe de uma maneira diferente. Dê em suas mãozinhas um Playstation, um notebook com internet ou uma TV à cabo que nem sentirão falta de ir se sujar no playground ou no parquinho da praça.

Não sei vocês, mas a parte interessante de relembrar como era a vida durante minha infância é que, apesar da sensação boa que as lembraças trazem, me sinto feliz que ela esteja só nas lembranças. Porque por mais que eu tenha saudade, também me sinto aliviada por ter me libertado de inúmeras sensações que me atormentavam quando era mais nova. O que era obscuro ficou claro. O que machucava se curou. O inviável se tornou possível. E o mais importante, muito do que era vital, deixou de ser importante. Sem contar que à medida que vamos amadurecendo, por mais difícil que a transição seja, nada nos tira a vantagem de sermos donos dos nossos próprios narizes, né?

Nessa fase de adaptação e, principalmente, mudanças, muita gente tenta se esconder da evolução natural da vida. São os adultos que continuam sem rumo definido, morando por tempo indeterminado na casa dos pais, sem decidir exatamente o que pretendem fazer das suas vidas. O pior de tudo, é que se mantém apegado aos velhos manuais, conceitos ultrapassados e roupas que não servem mais. Há também aqueles que adoram guardar quinquilharias na cabeça e no coração e sempre vão sendo puxados para trás pelas velhas e boas lembranças. Ou ruins... Cada pessoa com sua trajetória.

De qualquer maneira, a passagem do tempo foi feita para sentirmos uma certa nostalgia mesmo. Ter saudade do que foi bom, porém sabendo que aquilo deve ficar para trás. E também, para agregar ao nosso eu, quem fomos e quem somos, em uma mesma receita infálivel, que nunca está pronta. Afinal, nossa personalidade está eternamente em construção.

Revisão Felipe Rui.

Oi gente! Tô em falta com o blog... Desculpem a falta de postagem. O texto dessa semana era outro que virou esse. Talvez esteja meio confuso, como eu nos últimos dias. rs Mas como sempre, espero que gostem e comentem a respeito. Beijos!


Um comentário:

marcoamando disse...

Oi Gaby,

Gostei do "presente/passado". Acrescentaria que a saudade/ passado não se esvai como água corrente. Ela, se fragmenta como vc disse "para [se] agregar ao nosso eu" que sempre está sendo. Uma vez que sempre estamos sendo ao mesmo tempo, passado/presente/FUTURO. Pq somos história com a nossa e com a história de outros.
Ah, vou mandar um texto meu sobre ESCOLHAS,um tema que tenho explorado em alguns textos. Gostaria que publicasse.
Um forte abraço!
Marquinho