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12.6.12

Acredite.


Foto: asweetdream

Acreditar no amor faz bem. Não o amor Romântico, cheio de firulas e declarações que soam mais falsas que os produtos da 25 de Março. Amor bom mesmo é aquele do dia-a-dia, da cumplicidade, do apoio mútuo e do respeito a individualidade do outro. 

Não se engane achando que o amor verdadeiro se resume a um poema muito bem rimado ou a um buquê abarrotado de rosas vermelhas. O verdadeiro sentido de amar alguém, está intimamente ligado a tudo que você é capaz de renunciar ou agregar na vida do outro e na sua própria vida. É ter maturidade para entender que nem tudo será perfeito, pois às vezes vocês vão brigar e fazer cara feia um para o outro. Que em alguns momentos, a grana vai ficar curta e aquele jantar romântico vai ser trocado por um cachorro-quente na esquina. Que as declarações de amor serão ditas no meio da tarde, via SMS mesmo, e não da forma generalizada de romantismo que todos costumam aclamar. Que pode acontecer do sexo cair na rotina, mas e daí, né? Amor é isso mesmo. Dias comuns, briguinhas, não dormir de conchinha (convenhamos, incomoda), as vezes ele no bar e você com as amigas, TV em casa ao invés de cinema, um eu te amo meio sonolento ao acordar - ainda com aquele bafo matinal... Essas pequenas e grandes coisas que completam a nossa existência.

O mais legal de amar alguém de verdade, é perceber que a relação não é um conto de fadas. É sacar que ao seu lado não existe um príncipe ou princesa perfeitos. É notar que uma pessoa comum te completa muito mais do que aquela que povoa seus sonhos. Muito mais perfeita do que o amor platônico da 5ª série. E sabe quando você percebe isso? É quando você desata os nós da ilusão, de querer encontrar uma pessoa que se encaixe perfeitamente em todos os parâmetros, que um dia estabeleceu como meta de relacionamento.

Acreditar no amor faz bem. Mas faz ainda mais bem, para quem sabe enxergar o que é amar de verdade. Feliz dia dos namorados.

P.S. Aproveitando o ensejo, só quero agradecer publicamente ao Felipe Rui (aka meu namorado e revisor deste blog) por ele ser exatamente quem é. E por completar tanto a minha existência. Te amo, B!

P.S2. Hoje está sem revisão. Foi de supetão mesmo. rs

Beijos,





3.6.12

Eu quero hoje!

Foto:  Mon coeur s'ouvre a toi.


Tudo na vida é uma questão de ótica. Você pode olhá-la pelo lado bom ou perder-se em devaneios, se torturando pelas coisas ruins. Claro, todos temos nossos momentos de glória e derrota. Nem sempre vencemos, mas também, nem sempre perdemos. Se você conseguir absorver as perdas como um passo a mais para a vitória que almeja, certamente a vida fará mais sentido. Por isso hoje, fiz um compromisso comigo mesma: o de olhar a vida de forma mais positiva. Não como a Pollyana do livro, mas de uma maneira mais realista.

Ao invés de focar nos pontos negativos, resolvi listar tudo que quero, até mesmo a mudança das coisas negativas, descrevendo meus desejos de uma maneira mais positiva. Esse foi um exercício dolorido, pois é difícil parar e olhar as coisas que não dão certo e enxergar que ali tem algo de bom. De qualquer maneira, eu consegui colocar no papel como eu desejo ver a vida a partir de agora. Ficou assim:

Quero me sentir mais feliz com o que tenho e ter forças para buscar o que almejo.
Quero me sentir melhor com o meu trabalho atual e ter inteligência para buscar trabalhar no que eu gosto: escrever.
Quero ser menos reclamona e menos mal humorada.
Quero focar mais no que me faz bem e menos no que me deixa pra baixo.
Quero usar meu dinheiro com mais consciência e conseguir poupar mais para possíveis adversidades.
Quero me sentir menos cansada e mais disposta.
Quero estudar mais, aprender mais e nunca parar de querer isso.
Quero ter mais paciência com as pessoas e a vida.
Quero ser mais tolerante quando as coisas não saírem do meu jeito.
Quero ser mais doce, mas amável e menos rabugenta.
Quero ajudar mais quem precisa e chorar menos pensando em como poderia ajudar.
Quero fazer mais minha parte ao invés de reclamar de quem não faz a sua.
Quero ser mais amiga e menos antissocial.
Quero ser mais presente pessoalmente do que nas redes sociais.
Quero mais amor e menos dor.
Quero uma vida com menos tons de cinza.
Quero viver ao invés de apenas desejar fazê-lo.
E quero tudo isso hoje e não amanhã. Pois apesar de soar sombrio, pode ser que meu amanhã não chegue.

Que hoje seja o meu melhor dia!

Beijos,


6.6.11

Um culto ao silêncio.

 
“Só entende o valor do silêncio, quem tem necessidade de calar para não ferir alguém.” 


Existe um ditado que diz “A palavra é prata, mas o silêncio é ouro”. E não há maior verdade do que essa. Se pararmos para observar, os problemas de relacionamento são causados muito mais por palavras mal ditas do que por silêncios indecifráveis. Tem gente que se incomoda com o silêncio e a necessidade de falar é tão grande que as pessoas estão o tempo inteiro  carentes de companhia.

Quando não se ouve uma resposta para um insulto, um elogio, uma pergunta, enfim, para qualquer som emitido que exija um retorno, parece que abre-se um vazio que não é possível ser preenchido até que se ouça algo. A sensação de impotência e descontentamento é muito maior diante do que não se pode ouvir do que por palavras proferidas, mesmo que estas machuquem ainda mais.

Não é muito difícil encontrar pessoas silenciosas sendo taxadas de antissociais, sonsas, chatas, entre outras qualidades nada apreciadas. Pessoas que, na maioria das vezes, apenas querem se abster de dar uma opinião errada ou que só estão afim de pensar melhor sobre tudo que está acontecendo ao seu redor.

Conseguir manter-se em silêncio parece um grande desafio para quem fica o dia inteiro em um blá blá blá incessante. A falta de som não é prejudicial, nunca foi e nem nunca será. Ter o autocontrole de se calar quando necessário e até mesmo não ter necessidade nenhuma de falar é algo que deveria ser praticado todos os dias, e por todas as pessoas. Devemos aprender a silenciar nossas bocas para ouvir o que diz nosso coração. Pode até parecer um clichê barato, mas não é. Fazer companhia a si  mesmo, sem emitir uma palavra sequer, faz com que sua mente expanda para horizontes mais distantes do que sua voz é capaz de alcançar.

No Budismo é pregado que para alcançar o Nirvana é importante abstrair-se de todos os sons a sua volta e ficar envolto em um completo silêncio, através da meditação. O que é muito mais do que fazer com que sua boca pare de falar, pois sua mente também precisa se calar. Momentos solitários trazem benefícios ao espírito e ajudam a trazer de dentro de si o que não se encontra do lado de fora.

Cultuar o silêncio se tornou algo raro e talvez menos palavras precisem ser ditas para que possamos, enfim, nos encontrarmos com nós mesmos. Porque aí será possível descobrir as respostas para problemas que tanto nos afligem. As mesmas respostas que insistimos em buscar na palavra alheia. Quando o que encontramos nesse emaranhado de opiniões diferentes e contraditórias é apenas mais confusão. No final das contas, acho que a paz, que muitos de nós procuramos, está exatamente no silêncio que não somos capazes de fazer.

E como disse Fernando Pessoa:

“Enquanto não atravessarmos a dor da nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um.”

Revisão: Felipe Rui

P.S. O Blogspot não me deixou colocar imagens, mas assim que voltar a funcionar, posto uma foto que achei muito fofa. ;)

Petit Gabi

2.3.11

O poder da autossabotagem

 
Você pode estar se boicotando e nem sabe.

Pense na seguinte situação: você está escalando uma montanha bem alta e está bem feliz porque em pouco tempo atingirá o cume. Só que então, faltando poucos metros para atingir seu objetivo, você simplesmente desiste. E, sem ao menos saber o motivo da desistência, começa a ser corroído por um enorme sentimento de fracasso. Horrível isso, não é?

Já parou para pensar o por quê de todas as vezes que as coisas podem dar certo, ou estão dando, você põe tudo a perder? Por que, mesmo quando reúne forças para lutar por seus objetivos, percebe que existe o desejo de vencer e superar obstáculos, você desiste antes de chegar na etapa final? Talvez você esteja sob os efeitos da sabotagem interior, também conhecida como autossabotagem. Um problema que se não detectado há tempo, pode destruir seus sonhos, sua carreira e sua vida.

Tanto na vida amorosa, quanto na profissional, existem exemplos em que as pessoas entram em um círculo vicioso de autossabotagem. Criando, para si, barreiras imaginárias que se interpõe entre elas e a felicidade.

Na vida sentimental, por exemplo, diz estar cansado de se envolver em relacionamentos que não chegam a lugar algum e quase sempre machucam e destroem sua autoestima. Que em seu caminho só aparecem as pessoas erradas e que quanto mais reza, mais assombrações aparecem. Porém, logo em seguida está novamente nos braços de alguém do mesmo tipo, cantando alegremente: “Você não vale nada, mas eu gosto de você".

Na profissão, está sempre culpando o mercado ou os chefes pelo insucesso. Choraminga que as oportunidades não chegam, que nunca é valorizado, que não reconhecem seu potencial e que no próximo emprego, vai se acertar. Só que esse emprego certo nunca aparece. E você segue infeliz, achando que escolheu a carreira errada ou pensando que não merece uma oportunidade de sucesso.

A autossabotagem tem raízes muito profundas. Os psicólogos normalmente a tratam como fruto de experiências da infância. Quando, muitas vezes, os pais superprotegem os filhos dizendo “Você é pequeno demais para fazer isso. Não vai dar conta” ou  trazem a ideia de fracasso de sua própria vida, afirmando que o sucesso nunca chega ou quando, na pior das hipóteses, afirmam categoricamente coisas como “Ambição é pecado”. Tudo isso influencia diretamente a imagem que uma criança tem da vida. Porque, de certa forma, ela está ali, desesperadamente tentando agradar aqueles que ela tem como referência. A partir disso, o indivíduo cresce carregando dentro de si sentimentos de insegurança, medo,  incompetência e outros muito piores.

Bom, descobrir que o fato da sua vida estar uma merda pode ser culpa das experiências de infância e dizer “caramba, não posso voltar no tempo e mudar isso”, não ajudará em nada. Você também não pode simplesmente ir até a casa dos seus pais e apontar na cara deles que a culpa da sua infelicidade está na criação que te deram. Eles fizeram o melhor que puderam, acredite. Aliás, nada disso fará diferença, porque o problema está dentro de você. E é dentro de você, também, que está a solução para dissolver esse sentimento tão prejudicial.

Se você indentifica-se com alguma dessas situações, a primeira coisa a fazer é aceitar que o problema é interno, não externo. Porque enquanto você buscar motivos para culpar as pessoas e as coisas por tudo que dá errado na sua vida, o ciclo vicioso não irá se romper. Tendo consciência de que só você é responsável pela sua felicidade, certamente trará mais forças para encontrar os caminhos que podem te levar até ela.

Sendo assim, se o primeiro passo já foi dado, entenda também que as coisas não se ajeitarão em um passe de mágica. Compreenda que há anos você vem tomando as mesmas atitudes e, talvez, não seja tão simples mudar o foco dos seus pensamentos. Por isso mesmo, é necessário ter paciência e persitência. Comece por ações pequenas, fazendo aquilo que você sabe perfeitamente que tem capacidade para fazer. Isso irá valorizar seus pontos fortes e, consequentemente, sua autoestima irá se reerguer. Em seguida, pense em tudo que você não quer mais ter na sua vida. É comum as pessoas nos pedirem para descrever aquilo que mais desejamos e acabamos abrangendo o senso comum: amor, dinheiro, saúde, etc. Aqui, é importante definir o que te faz mal, o que te impede de seguir adiante. Por isso, faça uma lista de coisas que devem mudar. Exemplo: “Não quero desistir facilmente. Não quero ao meu lado pessoas que me colocam para baixo. Não quero duvidar da minha capacidade...” e assim sucessivamente. Expurgando o que é ruim, as portas se abrirão mais facilmente para o que é bom.

Policiar seus pensamentos também é uma atitude que atrai coisas positivas. Pode parecer balela, se você entender isso como é exposto no livo “O Segredo”. Só pensar em coisas boas não vai transformar sua vida. É preciso evitar pensamentos ruins, que te trazem medo e insegurança e, em seguida partir para ações práticas. Se não se sente feliz no emprego que está atualmente, pare e reflita o que você não gosta ali. São as atividades? São as pessoas? Ou você simplesmente não gosta do que faz? Independentemente dos motivos, tente descobrir o que é e elimine-os. Se for o caso, mude de emprego. Mas antes disso, esclareça exatamente onde você quer estar e busque as medidas para levá-lo até lá. Já é um começo, concordam?

Não quero mais me alongar no assunto, acho até que o texto já está longo demais para os padrões do blog. Por isso, quero finalizar essa questão dizendo a vocês que há pouco tempo descobri que tenho feito exatamente isso comigo. Ando autossabotando minha própria vida e estou na luta para me desvencilhar desse ciclo vicioso. E se você se encontra nessa mesma situação, peço que busque, dentro de você mesmo,  a resposta que tanto procura para responder às suas aflições. Eu identifiquei onde estava o erro e sei que qualquer um pode fazer o mesmo. 

Desejo a todos um bom caminho de autodescoberta. Que apesar das mazelas causadas por esse sentimento, possamos todos encontrar de verdade o que queremos e não queremos para nossas vidas. E se não conseguirem sozinhos, por favor, não exitem em procurar ajuda profissional. Não é nenhuma vergonha admitir que precisamos da ajuda de alguém. Afinal, o que importa realmente é sermos felizes com tudo que conseguimos construir.

Se quiserem ler mais sobre o assunto, recomendo uma matéria da revista Sexto Sentido, nº113 da Mythos Editora. A matéria é assinada por Alex Prim e vale a leitura. Seguem também alguns links que encontrei na Internet sobre o assunto:


Revisão: Felipe Rui.
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Oi amigos! O tema do texto dessa semana não é muito tranquilo, né? Mas é um assunto que pode servir de referência para algumas pessoas, por isso resolvi compartilhar. Quero saber o que acharam, ok?
O texto da semana que vem terá como tema "Mulheres alteradas". Sabe aquela coisa de mulheres que amam demais e saem dos limites? Pois é... Aguardem!

Beijos da Petit

22.12.10

Valores invertidos

O ano está acabando e, provavelmente, alguns de nós estamos exercendo toda a bondade e  generosidade armazenada durante 2010, doando roupas velhas, pratos de sopa ou cestas básicas para aquelas pessoas miseráveis que vemos todos os dias, mas ignoramos. Chega essa época e as pessoas adoram parecer melhores do que são, né?

A verdade, gente, é que os valores andam invertidos. Amar ao próximo como a si mesmo? Isso só existe na Bíblia. A maioria das pessoas está pouco se fodendo para o próximo. O individualismo é um fator chave na vida que levamos atualmente e infelizmente não há como voltar atrás.

Em todos os lugares, as pessoas só pensam em passar a perna umas nas outras. Sabotam, trapaceiam e fazem fofocas porque não existe mais a preocupação com o bem-estar de ninguém e é muito desagradável perceber que estamos rodeados por inimigos ocultos, já que fica muito difícil descobrir de onde vem a rasteira que te derruba.

Devo confessar que estive muito brava com essa filhadaputice, principalmente, porque tomou conta da minha realidade. Já encontrei muita gente sem-vergonha no meu caminho, gente baixa mesmo, que não valia nem o prato que comia. Mas esses fatores isolados não me afetaram tanto quanto várias facadas nas costas de uma vez só.

Sabe quando um monte de coisas ruins te acontecem de uma vez só e você não tem nem ideia de onde vieram os tiros? Passei por uma fase assim há não muito tempo atrás e me deu muita vontade de passar para o time dos maus. Sério. Fiquei extremamente zangada por perceber que as pessoas só faziam aquilo comigo porque eu estava sendo boazinha demais. Quer dizer, burrinha demais. Dá para ser bom e esperto ao  mesmo tempo, agora sei disso.

De qualquer maneira, uma coisa que uma amiga me disse chamou muito minha atenção – “o negócio é ser do bem, porque do mal já tem muita concorrência”. E se formos parar para pensar, o fato de você ser mau não impede de serem sacana contigo, a única diferença é que, de certa forma, terá merecido o que aconteceu.

Bom, mas agora tudo passou e eu tenho certeza do que quero pra mim. Vou continuar a ser quem eu sou, independente de quantas vezes eu cair ou de quem me derrubar. Claro que vou filtrar pessoas e situações, para aos poucos formar ao meu redor uma rede de confiança que sempre irá me segurar quando eu precisar.

Quanto aos espertinhos de plantão, que sacaneiam o ano inteiro e vem bancar o bonzinho durante as festas de fim de ano, só tenho uma coisa a dizer: estamos de olho! 

Revisão Felipe Rui 

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Recebi o texto de um grande amigo e vou postá-lo aqui para compartilhar com vocês as ideias dele a respeito de ética e escolhas. Espero que gostem!



Refletindo sobre as nossas escolhas....

Marco Antonio Lima do Bonfim[1]

“Os valores não são ‘pensados’ nem ‘chamados’, mas vividos”
(Edward Palmer Thompson)


Vivemos com certeza num mundo de valores e por ser assim, vivemos constantemente fazendo “escolhas”. Escolhemos o que comprar, o que comer, vestir, etc. Escolhemos como e em quê empregaremos nosso dinheiro, dentre tantas escolhas que fazemos diariamente. Mas, você já parou para pensar como ou o quê nos leva a optar, por exemplo, por um estilo de filme que pretendemos assistir? Se sim, concordaremos que somos reflexivos em cada escolha que fazemos de tal forma que deveríamos “ser responsáveis pelos sentidos que construímos para as coisas” (no mundo). Porque nossas escolhas têm conseqüências, não digo boas ou más (sem essa de ser dicotômico!), mas éticas.
Podemos mergulhar de uma só vez nessa questão a partir de um dos filmes de Fernando Meireles, (é aquele mesmo que adaptou o livro “Ensaio sobre a cegueira” para o cinema), “O jardineiro fiel”. O filme se passa no contexto das questões relativas à saúde pública no continente africano, os dois protagonistas são um diplomata britânico (“Justin”) e sua esposa (a repórter “Téssa”). O enredo se desenvolve a partir de uma certa “máfia” que existe entre o Governo britânico e algumas indústrias farmacêuticas, este “acordo de gigantes” previa que tais indústrias usassem os/as africanos/as como “cobaias” em sua empreitada “científica” testando um suposto remédio para a cura da tuberculose. No entanto, tais testes ao invés de reforçarem a vida, arrancaram-na da população africana com o pretexto de que tais vacinas fossem contra a AIDS.
Enfim, não entrarei em mais detalhes, o que nos interessa deste filme são apenas duas cenas. Na primeira, “Justin” e “Téssa”, esta já grávida, estão em solo africano dentro do carro, quando “Téssa” vê uma mãe africana com um bebê no colo cambaleando de fraqueza para sua distante localidade. A esposa do diplomata pede ao mesmo para parar o carro e dar uma “carona” para eles. Mas, “Justin” argumenta que “as Nações Unidas estão aqui para isso. Se abrirmos exceção para um teremos que abrir para todos”.
Ora, o que se vê nesta cena nada mais é do que uma “escolha” feita por “Justin” baseada em valores que acredita. Assim, como a vontade de “Téssa” em ajudar as/os africanas/os está também amparada em valores outros que não os de  seu marido.
Mergulhemos um pouco mais e vamos para a segunda cena. Nela “Justin” está em uma das comunidades africanas “ajudadas” pela ONU quando de repente, aparecem outros povos que invadem o lugar matando todos que lá se encontravam. “Justin”, um médico “voluntário” e uma criança africana fogem e conseguem chegar até o Avião da ONU, o (agora) ex-diplomata pede ao piloto para levar a criança, mas a mesma não aceita. “Justin” tenta suborná-lo, mas ele diz “limpo e seco”: “Aqui as regras são essas!”. E a criança ( como que obedecendo a um certo “código social”) prossegue por “vontade própria” correndo no meio do deserto africano.
Ao contrário da outra cena, vimos que “Justin” motivado por outros “valores” e “experiências” escolheu significar sua atitude de outra forma. Por quê? E mais, essas tais “regras”, a que se referiu o piloto do avião, por que são assim? Ou melhor, porque tem que ser estas regras (sociais) e não outras?
Da forma como foram representadas no filme, o que parece (talvez) é que estas regras não são sociais, foram impostas do nada e “tem que ser assim se não...”. Ou seja, seres humanos estavam (estão) sendo “cobaias científicas” de experimentos que servem a um sistema desumano e asqueroso – o capitalismo – e  tudo que podemos fazer é “aceitar” que “as regras são essas!”?
Penso que se os valores não caíram do céu (nem do inferno!), e se não são “pensados”, nem tampouco “chamados”, mas “vividos” como disse o historiador inglês   Edward P. Thompson. A interpretação que podemos ter destas cenas é que nós não seguimos regras naturais, mas aprendemos valores, valores estes que guiam nossas escolhas que inevitavelmente terão implicações ético-políticas para nossas vidas e para as vidas de outros sujeitos sociais que estão neste mundo vivendo suas “experiências” das maneiras mais variadas e contraditórias.
Se refletirmos assim, poderemos então contribuir para a (re)construção de outros valores que não estes que por aí estão?


[1] Mestrando em Lingüística Aplicada na Universidade Estadual do Ceará. E-mail: marcoamando@yahoo.com.br

15.12.10

Presente/Passado

Quando paro para esmiuçar o que me trouxe até aqui, ou seja, minhas atitudes, decisões, dúvidas e escolhas, sinto uma leve saudade e um grande alívio. Confesso que sinto falta de como eram algumas coisas. Tudo era bem mais simples na infância e não digo isso por causa da mordomia de morar na casa da minha mãe, mas sim porque conviver com as pessoas era mais tranquilo. Não tínhamos tanto medo, não éramos tão isolados em nossas fortalezas particulares e confiávamos mais uns nos outros. Sabe que quando lembro das conversas até tarde na porta de casa, das balas compradas na quitanda e até mesmo nos crediários em lojas de roupas, sinto que essa fase tranquila da vida ficou perdida em um tempo que jamais voltará.

Aliás, todo mundo que viveu sua infância entre os anos 70, 80 e um pouquinho dos anos 90 sabe do que estou falando. Ninguém pode negar que lembrar dessa época traz um gostoso sentimento de nostalgia, não apenas por remeter às lembranças infantis, mas porque existia uma aura de encantamento que hoje está desfeita. Longe de mim fazer comparações, mesmo porque a realidade é outra, mas converse com uma criança hoje e verá que não estou exagerando. Obviamente, a felicidade para elas existe de uma maneira diferente. Dê em suas mãozinhas um Playstation, um notebook com internet ou uma TV à cabo que nem sentirão falta de ir se sujar no playground ou no parquinho da praça.

Não sei vocês, mas a parte interessante de relembrar como era a vida durante minha infância é que, apesar da sensação boa que as lembraças trazem, me sinto feliz que ela esteja só nas lembranças. Porque por mais que eu tenha saudade, também me sinto aliviada por ter me libertado de inúmeras sensações que me atormentavam quando era mais nova. O que era obscuro ficou claro. O que machucava se curou. O inviável se tornou possível. E o mais importante, muito do que era vital, deixou de ser importante. Sem contar que à medida que vamos amadurecendo, por mais difícil que a transição seja, nada nos tira a vantagem de sermos donos dos nossos próprios narizes, né?

Nessa fase de adaptação e, principalmente, mudanças, muita gente tenta se esconder da evolução natural da vida. São os adultos que continuam sem rumo definido, morando por tempo indeterminado na casa dos pais, sem decidir exatamente o que pretendem fazer das suas vidas. O pior de tudo, é que se mantém apegado aos velhos manuais, conceitos ultrapassados e roupas que não servem mais. Há também aqueles que adoram guardar quinquilharias na cabeça e no coração e sempre vão sendo puxados para trás pelas velhas e boas lembranças. Ou ruins... Cada pessoa com sua trajetória.

De qualquer maneira, a passagem do tempo foi feita para sentirmos uma certa nostalgia mesmo. Ter saudade do que foi bom, porém sabendo que aquilo deve ficar para trás. E também, para agregar ao nosso eu, quem fomos e quem somos, em uma mesma receita infálivel, que nunca está pronta. Afinal, nossa personalidade está eternamente em construção.

Revisão Felipe Rui.

Oi gente! Tô em falta com o blog... Desculpem a falta de postagem. O texto dessa semana era outro que virou esse. Talvez esteja meio confuso, como eu nos últimos dias. rs Mas como sempre, espero que gostem e comentem a respeito. Beijos!


20.10.10

Construção

Antigamente, eu costumava reclamar da dificuldade de engatar uma relação com alguém. Não falo sobre a máxima dita hoje em dia “está difícil namorar”. Estou entrando em um campo muito mais amplo da questão, que é, após encontrar essa pessoa, construir com ela a tal relação.

Esses dias, conversando com uma amiga no MSN, discutíamos exatamente sobre isso. Ela contava que estava junto com uma pessoa há algum tempo, mas que os dois ainda não haviam definido se eram namorados ou não. Para ela, havia sentimento, mas faltava o apego.

Acredito que o apego ao qual ela se referia está muito ligado a confiança. Não exatamente aquela confiança que te faz crer que o outro não vá te trair, mas o sentimento de que tudo está em seu devido lugar dentro de nós mesmos, para se ter certeza de que namoro é o caminho que a relação deve percorrer.

Tem muita gente que carrega consigo, como uma bagagem, traumas de relações passadas. Consequentemente essas emoções mal resolvidas tendem a afetar qualquer nova relação que se inicia. Acho que o caso dela era esse. Aí, é uma questão de ser paciente e fazer alguns questionamentos pessoais.

O quanto você gosta da pessoa em questão? Qual o grau de afinidade de vocês? Há quanto tempo estão juntos? Existe o senso comum de que é cedo para namorar ou um dos dois quer mais isso que o outro? Enfim, é tudo uma questão de sentar e fazer a velha DR. Tem gente que odeia esse termo, os homens principalmente, mas creio que, quase sempre, é conversando que se entende.

Construir uma vida a dois é difícil e, paradoxalmente, também é muito fácil. Conhecer a pessoa que está ao seu lado é uma árdua tarefa que a meu ver tem toda uma doçura embutida. Compreendo que, às vezes, abrir mão de suas velhas convicções para dar espaço a um novo ser que entra em sua vida e joga por terra tudo que você considerava como lei, é assustador. Mas, tem coisa mais deliciosa do que se livrar de velhos paradigmas, abrir mão do egoísmo e se jogar na aventura de um novo amor?

Claro, tem que haver respeito pela individualidade, porque em uma vida a dois, sua personalidade não deve ser subtraída pela do outro. A paixão também é fundamental e mesmo que já exista amor, ela não deve morrer. O sexo é completamente ligado ao nível de paixão existente na relação. O desejo do corpo também deve continuar existindo, senão bye, bye.

A vida é feita de experiências e experimentar tudo que te apetece ao lado de alguém bacana, independente de qual nome foi estabelecido para a relação, é algo valoroso demais para ser perdido por conta de medo, insegurança e traumas passados.

Para quem está com esse mesmo questionamento da minha amiga, só tenho um conselho: não perca seu tempo tentando nomear sentimentos e relações. Apenas sinta e viva tudo que for possível e que te faça bem, ao lado de quem você gosta. Com o tempo, as dúvidas se dissipam e o apego pega vocês. (risos) 

Um beijo e até o próximo post. (semana que vem, hein!)

Colaboração Ana Kopp.
Revisão Felipe Rui.

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Obrigada pelos comentários que recebi nos textos da semana passada. São um grande incentivo pra mim. Um beijo para Lílian Graciolli, Sidney Hamano, Jaci Viana, Ana Kopp, Lana Abreu, Osmar "Rei" e Rodrigo Furquim que não comentaram aqui, mas me deixaram recados muito legais. Sempre fico muito feliz por esse feedback!

24.8.10

Mau humor necessário.

Tem dias que a gente fica pra baixo, mal humorado e só quer ficar quieto sem que ninguém encha o saco. Esses são dias mais comuns do que imaginamos. Afinal, todos têm seus “bad days”.

Até aí, tudo bem. Você acordou com o pé esquerdo e tá super afim de maldizer a vida, seu emprego, amigos, o mundo em geral. Obviamente, existe a consciência de que isso não será recorrente. É apenas um diazinho osso duro de roer. Não há exatamente motivo para preocupações, certo?

Daí, chega aquela pessoa lazarenta que usa camisetas do tipo “Sou 100% FELIZ”. E ela vem com aquele papinho manjado do “pensamento positivo que opera milagres”. Aí, amigo, senta que lá vem conversa.

“Blá, blá, blá você atrai o que pensa”. “Blá, blá, blá, mentalize somente coisas boas”. “Blá, blá, blá sorria sempre, a vida é bela e o sol brilha todos os dias”. VTNC.

Como boa sagitariana que sou (sim, acredito nas descrições dos signos =o), costumo ser muito otimista. Mas, acredito que para algo dar certo, depende somente de mim. Por isso, desde quando sou obrigada a pensar e a ser positivamente feliz o tempo inteiro? Quer dizer, um dia de mau humor vai interferir na rotação do universo e detonar todo o resto? Não e não.

Ser positivo é buscar coisas e pessoas bacanas que somam em nossa vida. Sorrir quando existe disposição interna para isso. Trabalhar duro para conseguir o que se almeja. Ser honesto e fiel com seus próprios princípios. Respeitar seus sentimentos e expressá-los como te apetece. Isso é ser positivo de verdade. E não um falso "positivismo" sem bases ou estruturas. Guardando pequenos rancores, com medo de as pessoas pensarem que ela seja alguém extremamente negativo por mostrá-los.

Se forçar a nunca ficar de baixo astral ou não ter pensamentos ruins não irá te transformar em uma pessoa mais feliz, aceita ou bem-sucedida. No máximo, te obrigará a pagar rios de dinheiro para um terapeuta que te ajudará a externar todas as frustrações que você guardou desde que leu O Segredo.

E aí, você tem vivido de boa seus momentos de mau humor ou anda reprimindo tudo?
Beijos e até a próxima.

Revisão: Felipe Rui.

3.6.10

A conta do pato. Quem paga?

Por que a gente passa por situações desagradáveis, mesmo quando acha que não merece? Esse foi o tema de uma acalorada discussão entre eu e um colega. Ele fez a seguinte afirmação: "Os justos pagam pelos pecadores". Rebati: "Como assim, eu pago o pato pelos erros dos outros?".

Obviamente, que o embasamento dele para tal afirmação, foi a Bíblia. Pensei nisso. E perguntei: se isso acontece mesmo, não seria Deus, injusto?

Na vida, às vezes a gente se "ferra", mesmo quando acha que fez tudo certo. Daí, quando olha para trás e vasculha o passado, sem encontrar sequer uma falha na trajetória. Fica na dúvida sobre o que deu errado. Só que isso, não tem nada a ver com Deus. Tem a ver com a forma com que o ser humano lida com suas próprias frustrações.

Vamos para os exemplos práticos dessa questão:

a) Seu superior levou um esporro do superior dele. Quem acaba levando um esporro injustamente? Você ou qualquer outro subordinado que esteja por perto.

b) O cobrador do ônibus briga com a esposa e sai para o trabalho. Quem leva esporro quando pede alguma informação? Você e grande parte dos passageiros que passam pelo ônibus ao longo do famigerado dia.

c) Na aula anterior, a professora pegou aquela turma pra lá de bagunceira. Quem leva esporro quando tem uma dúvida ou faz alguma brincadeira? Você ou qualquer outro "engraçadinho" da sua sala.

d) Apaixonou-se por alguém que acabou de levar um pé na bunda. Quem sofre na nova relação? Quase sempre, você.

Quem pagou o pato injustamente em todas as opções? Obviamente, alguém que não merecia.

Eu nem sou a pessoa mais indicada para falar sobre a Bíblia, porque não leio com frequência. Aliás, faz tempo que não leio. Mas, se consta mesmo que o "justo paga pelo pecador", sinceramente, eu acredito que ela deva ser reescrita.

Afinal, putaqueopariu, que Justiça Divina é essa que nos faz sofrer para"salvar" a alma de algum infeliz pecador? Isso, definitivamente, não se adequa à nossa realidade. Pelo menos, na minha, não!

Beijos e até o próximo post. Que espero, sinceramente, não demorar! ^^

3.3.10

E por que não? e Contos pra te contar. [5]

Sabem aquelas tais coisas que surgem do nada? Quando você está de bobeira, desencanado até. E de repente “boom", algo explode e te surpreende positivamente?

Um dinheiro que você nem contava receber. O elogio de alguém impensável. Uma inusitada proposta de trabalho. Alguém interessante que cai de pára-quedas na sua vida. E por aí vai!
Não importa o que seja. São eventualidades ou pessoas com um poder transformador. Que faz com que isso seja tão gostoso de acontecer. Algo que tem a capacidade de acordar o que estava adormecido: a fé no acaso.

Eu tenho verdadeira paixão pelo inusitado. Situações positivas que fogem do senso comum. Alheias ao cotidiano. Que ocorrem inesperadamente de forma criativa. E aguçam todos os meus dispositivos de felicidade.

Não costumo me questionar a respeito quando isso acontece. Não fico me perguntando "Por que comigo?". Eu simplesmente abro os braços e recebo de bom grado.
Creio no seguinte, se algo ou alguém muito bom chegou até sua vida. É porque você definitivamente é merecedor disso. E a única pergunta que deve fazer a você mesmo é "E por que não?".

Aproveite o que o acaso te traz. Não vire as costas para o que não compreende de imediato. Dê uma chance para você. E viva da forma mais inusitada que puder. Pelo menos uma vez, duas, três ou infinitas vezes, se possível.

Para finalizar, deixo registrada uma letra que eu amo. É uma composição do Ivan Lins, na bela voz de César Camargo Mariano. Fala apenas de paixão. Mas, é uma boa pedida para quem costuma acreditar que coisas boas acontecem ao acaso.




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Como fiquei um longo tempo sem postar. E por causa disso, quebrei minha própria promessa de um post por semana. Deixo também um pequeno conto que estava esquecido em meu arquivos.


Algum sentido. Sentido algum.

Ali sentado no meio da grama, ele pensou nela. Sentiu uma imensa onda de tristeza. E se sentiu muito idiota por ter aquela sensação.
Lembrou de como ele tentara ajudá-la a enxergar que aquele caminho que ela seguia. Não era nem de longe o que a faria mais feliz. Isso não é problema seu, ela disse. Achei que fosse, pensou ele.
Muitas vezes, as pessoas nos machucam. Mas, é pior ainda quando o que as machuca faz a gente se sentir magoado também. E Liz sabia muito bem como se machucar. Ela era uma pessoa impossível de se entender. De tão simplista e transparente, parecia até uma tola.
O orvalho começou a cair e molhava seus cabelos. Ele levantou o rosto e sentiu as gotículas refrescantes da noite. Uma confusão de sentimentos passou por ali. Como ela podia agir assim? Tudo que ele queria era um tempo para fazer as coisas realmente darem certo.
De novo pensou que nem tudo tem o sentido que esperamos encontrar. E se conformou. Afinal, para que ele deveria despender tanto esforço para justificar o que não tinha justificativas?
Levantou e caminhou lentamente até o quarto do hotel em que estava hospedado. Não tinha notado que estava tão cansado. Não cansado fisicamente. Mas, cansado de sentir, pensar, absorver, conviver, doar. Cansado dele. Cansado dela. Cansado da vida que levava.
Ligou o rádio. Tocava uma velha música do New Order*. Pediu um vinho. Sentou na beirada da janela. Uma brisa bateu leve em seu rosto. Começou a prestar atenção na letra.
“Porque não podemos ser nós mesmos como éramos ontem? Eu não tenho certeza do que isso significa. Eu não acho que você seja o que mostra. E na verdade admito para mim mesmo que se eu machucar outra pessoa. Eu jamais verei o que na verdade deveríamos ter sido.”*
Sorriu. Cantou baixinho. Cancelou o vinho e deitou-se na cama para continuar perdido em seus próprios devaneios.
Tudo continuaria a ficar sem fazer sentido, afinal.


Beijos, queijos e goiabadas!

P.S. Obrigada a todos que sempre passam aqui, mesmo em minha ausência.

28.1.10

Deixa que eu te empurro!

Não sou do tipo que compra brigas. Quando dois amigos se desentendem, escuto os lados sem tomar partido. Muitos chamam de ficar em cima do muro. Eu chamo de apaziguar, acalmar os ânimos, estabelecer a paz.

Eu sei, não sou nenhuma embaixadora da ONU ou coisa que o valha. Também sei que os conflitos no Oriente Médio não vão acabar por isso. Mas, eu faço o que posso para manter a paz, pelo menos no círculo que me rodeia.

Pois bem, a ideia para esse post surgiu depois de ler um tweet que dizia algo como “Um amigo de uma amiga está escrevendo um texto sobre a Tessália e precisa encontrar desafetos dela em Curitiba. Help”. Aí, outra pessoa deu RT para dizer “Desafetos da Tessália, procurem a @fulana”. Caramba! Que diabos de mundo estamos vivendo? Por que as pessoas estão tão empenhadas em ferrar com as outras?

Até acompanho boa parte dos conflitos que envolvem a moça. O Twitter, os blogs e o próprio Big Brother está cheio deles. Mas, não estou aqui para defender a Tessália, muito menos para julgar quem não gosta dela. Só quero tentar entender qual motivação tem levado a galera a se preocupar com a criação de novas e mirabolantes redes de intriga.

Qual é gente, não temos nada melhor pra fazer? Sério mesmo? É realmente necessário se empenhar tanto para escarafunchar a vida de outrem?  Buscar seus podres, desavenças e afins só pela satisfação. De que mesmo?

Como eu já disse, não sou a pessoa mais boazinha do mundo. Não estou isenta de sentir raiva, inveja ou desdém por outras pessoas. Mas, sinceramente, eu tento fazer minha parte. Ao invés de ficar tramando planos para tentar dominar o mundo. Ou tentar fazer o mundo de alguém desmoronar. E tenho certeza que tem mais gente por aí que faz a mesma coisa. Cuida de si para ter o melhor a oferecer para quem os rodeia.

Então pessoal, que tal parar de procurar o que há de pior nos outros? Que tal começar a prestar atenção no que há de bom. E o mais importante, o que acham de tentar apaziguar ao invés de colocar mais lenha na fogueira das intrigas? Afinal, tem gente que se queima por si só. E não precisa da sua ajuda, nem da minha para cair por aí.

Isso, não é ficar em cima do muro. É ter a opinião formada a respeito de algo muito mais valioso que qualquer futrica ou desafeto. É ter a certeza que vale mais a pena ajudar a levantar do que empurrar para cair.


*Pitacos de Daniel Goraieb na construção do texto .


Beijo!


P.S. Viu só como cumpro minhas promessas... Um post por semana! É, joguei a preguiça pra escanteio mesmo. rs

23.1.10

Men at work!

"O trabalho enobrece o homem". Quem não conhece essa frase totalmente batida do Max Weber? Ela já foi usada e reutilizada ao longo de muito anos a fio. Inclusive, já foi tema de alguns post's por aí.  Pois bem, eu também vou me apegar a ela para perguntar: enobrece mesmo? Tenho lá minhas dúvidas com relação a isso. Afinal, tem muitas atividades profissionais que as pessoas realizam ao longo da vida, que não agregam porcaria nenhuma na sua existência. E pra falar a verdade, algumas simplesmente emburrecem o ser humano, ao invés de enobrecer, como disse o caro Weber.

Quando eu penso em trabalho, enquanto atividade remunerada que toda pessoa adulta e responsável deve realizar. Eu sempre lembro que é ali que passamos algumas das melhores horas de nossas vidas. Duvida? Bom, então pensa comigo: normalmente, as pessoas entram as 8 e saem às 18. Daí, a gente exclui as duas horas de almoço que a maioria tira e coloca apenas as oito horas diárias de trabalho. Durante essas horas, geralmente estamos dentro de um escritório ou qualquer outro ambiente que seja condizente com a atividade que realizamos. E lá fora, o que rola? Lá fora tem o sol (ou não), alguns de nossos amigos mais legais, nossa família, nosso cachorro, nossa casa com uma cama ou sofá que nos chama incessantemente, um belo parque, uma loja qualquer pra gastar, o boteco... Enfim! São as melhores horas do nosso dia que "perdemos" ali. Então, elas tem que ser no mínimo bem aproveitadas, não é?

Eu acredito que o lugar que trabalhamos determina 50% do quanto nossa vida será feliz ou triste. E isso, independe do que você faz por lá. Não importa se você é o diretor ou só o cara que serve o café. O local de trabalho tem que ser agradável.  E esse, é um detalhe tão importante quanto valor do salário ou o reconhecimento profissional que recebemos. Acham que sou doida? Calma, que eu explico!

Alguém aí pode me dizer como é possível produzir bem quando você sequer consegue se sentir à vontade? Impossível! Não dá para fazer nem o que a gente gosta quando estamos mal instalados. E eu não trato aqui apenas da infraestrutura  do ambiente. Eu falo também das pessoas que trabalham com a gente. Afinal de contas, tem coisa mais horrível do que trabalhar ao lado de alguém que apenas te desmotiva? Tem algo mais chato que sentar para trabalhar e ficar ouvindo indiretas e afins. E quando chega ao ponto inaceitável dos xigamentos e etc.? Complicado...

Trabalho bom é aquele aonde o indivíduo está cercado por um ambiente que torne propício seu crescimento profissional e intelectual. Ou seja, um lugar onde possa desenvolver todo seu potencial e aprender mais todos os dias. E não apenas sobre sua função, mas também sobre outras áreas de conhecimento.

Agora, de volta ao começo do post, o trabalho que emburrece o homem é aquele que transforma seu funcionário em uma mera máquina geradora de lucros. Aonde, ao entrar pela porta e bater o famigerado cartão de ponto, ele recebe uma trave em volta dos olhos que o faz enxergar apenas para onde a empresa quer. E isso, minha gente, é completamente deprimente e degradante.

Então, na próxima vez que você pensar em citar o Max por aí. Primeiro, pense bem em como anda seu trabalho, tá?


P.S.  Talvez muita gente ache esse texto chato e extenso, mas essa foi a temática da semana pra mim.


Até o próximo post.


Grande beijo!

14.1.10

Bon voyage!

Agora que passou (um pouco) a empolgação causada pelas festas de fim de ano e 2010 já tá correndo solto, bora trabalhar, né?
Quero compartilhar com vocês, que a minha ideia a partir deste momento, é postar um texto por semana. Já tenho alguns prontos, então, não corro o risco de amarelar pela picada do mosquito-preguiça. E também, porque preciso de verdade colocar esse blog pra funcionar direito, afinal, tenho 31 fiéis seguidores! Além do mais, uma pessoa muito bacana me encorajou dizendo que vale a pena eu continuar escrevendo. 
Sendo assim, como diz um colega da vida virtual: "E vamoquevamo". E para essa semana trago pra vocês um tema que muita gente aprecia na prática: viajar. Por isso, me digam, tem coisa mais legal que sair viajando além das barreiras da imaginação? E ainda agregar para a vida experiências únicas e especiais? Devem ter várias, claro. Mas, hoje, a intenção é mostrar o quanto a decisão de viajar por aí pode trazer coisas bacanas para nossas vidas.

Quem pode viajar "além-mar", tem que fazê-lo. Um dia, todo mundo tem que fazer isso. Seja lá como for, coloque uma mochila nas costas e arrisque-se pelas estradas do mundo. Mesmo que seja de ônibus, como foi meu caso.

Bom, e já que falei de ônibus, vou me atentar apenas a esse meio de transporte não tão prático, nem confortável, mas barato. E que te dá a chance peculiar de conversar de verdade com as pessoas. Porque, só quem já teve a oportunidade de fazer viagens longas (longas tipo, dois ou três dias), sabe qual é a sensação de fazer isso dentro de um ônibus repleto de desconhecidos. Não é nenhuma maravilha, digo logo. É cansativo, desconfortável, barulhento e etc. Mas, é uma pequena ou grande experiência real para uma vida toda. Creia nisso.

Pensa só, você embarca todo tímido, com uma mochilinha nas costas e nas primeiras horas de viagem usa apenas a própria imaginação para se distrair. Depois, resolve ler um livro, fazer palavras cruzadas, ouvir música, ou, simplesmente, olhar a paisagem que passa borrada pela janelinha de vidro. Mas, nada, nada no mundo te faz criar coragem para conversar com o estranho que está sentado ao seu lado.

Aí, depois de muitas horas, tentativas frustradas de adormecer na desconfortável poltrona e com a imaginação já falha. Você olha para o lado e com aquele sorriso amarelo, comenta algo como "Tá quente, né?" , "O motorista podia diminuir o ar. Tá muito frio!", ou o famoso "Nossa, a hora não passa.". Pronto. Não precisa de mais nada! Lá pela segunda ou terceira parada para lanchar, você já fez um amigo inseparável para as próximas longas horas que irão seguir.

A partir disso, você fica sabendo que o cara tá indo tentar a sorte na nova cidade. Que a mãe enfim vai visitar o filho que não vê há 10 anos. Que a garota passou no vestibular e pela primeira vez vai morar fora de casa. Ou que aquele avô vai conhecer o primeiro neto. Enfim, milhões de possibilidades. Histórias e mais histórias que ficarão entranhadas na sua durante aquele percurso, até seu destino final. Ou até quem sabe, pela vida inteira.

Isso, meus colegas, se chama vivência. São pequenas experiências enriquecedoras que só a convivência com nossos semelhantes (conhecidos ou descohecidos) podem proporcionar. E para mim, esse tipo de coisa não tem conforto de avião que pague.

Beijos e até a próxima semana!

21.12.09

Então, é Natal?



O que é o Natal, afinal de contas? De acordo com a crença cristão, 25 de dezembro é o dia em que comemoramos o nascimento de Jesus e por isso o Natal. Para outras religiões, o Natal é comemorado e datado em outros períodos. "Os chineses comemoram em outra data. Os japoneses, também. E os muçulmanos, o fazem a partir de Maomé. Os romanos comemoravam em outra data." E para o comércio, nada mais é que a época em que as lojas mais faturam.  Afinal, o que é um Natal sem presentes, certo? Errado! 

O espírito natalino passa muito longe da imagem que as campanhas publicitárias tentam todos os anos nos fazer acreditar que tem. Porque aquele Papai Noel com barba branca e roupa vermelha, que anda em um trenó voador abarrotado de presentes, com o qual estamos acostumados a conviver por anos a fio, representa nada além do espírito consumidor que temos.

Apesar de ter tido a minha imagem do que é Natal distorcida por anos e anos de campanhas publicitárias, esse é particularmente um dos meus períodos favoritos do ano todo. E não é porque eu ganho presentes das pessoas ou porque resolvemos cozinhar comidas excepcionalmente deliciosas e diferentes do cardápio diário. É porque, durante o período que antecede o Natal e no dia em si, eu olho em volta e consigo enxergar o quanto as pessoas se tornam mais amorosas, solidárias e capazes de compartilhar o pouco ou o muito que possuem  com outras que, muitas vezes, nem conhecem.

Eu tenho a leve impressão, de que todas aquelas luzinhas brilhantes que piscam nas ruas ou nas árvores de natal espalhadas pelas casas é que têm o incrível poder de fazer reacender alguma chama, que por algum motivo obscuro, ficam apagadas durante o resto do ano.

Então, ao enxergar um daqueles pontinhos de luz, os corações amolecem e os sorrisos se tornam mais afetuosos, as mãos permancem estendidas por mais tempo e os abraços conseguem ser ainda mais calorosos do que naturalmente já são.

E sabe qual é a parte mais engraçada disso tudo? É que por mais que a gente veja todos os dias durante o mês de dezembro,  belíssimos comerciais de Natal falando sobre solidariedade, compaixão e generosidade, a gente sabe que nenhum daqueles presentes pode tornar alguém mais feliz do que o amor dado gratuitamente.

Por isso, meus caros leitores, para esse Natal, esqueçam daquelas lindas propagandas que dizem qual perfume, roupa, brinquedo ou qualquer outro presente que você deve comprar para alguém. Esqueça  toda essa bobagem . Lembre-se apenas de presentear as pessoas que você gosta, com algo que não vai te custar nenhum um centavo. Presentei-os com seu amor.

E isso, é tudo que eu quero ganhar nesse Natal.

Feliz Natal!

Um grande abraço a todos e obrigada por todas as vezes que passaram aqui para deixar seu carinho e palavras de incentivo.

Até o post de Ano Novo.


P.S. Deve ter gente pensando: "publicitária mais fake, hein" rs. Pois é... Em casa de ferreiro, o espeto é de pau! =)

28.11.09

Estranhas gentilezas.

Tem dias que a gente tá tão feliz, que dizer um "oi" a um estranho não parece nada estranho, né? Pois bem, hoje foi meio assim. Não que eu estivesse saltitando de alegria. Na verdade, eu acordei muito mal humorada. Mas, me neguei a ficar assim por muito tempo e resolvi reverter o quadro de rabugice.

Decidi por fazer pequenas coisas. Dei bom dia para quem eu encontrava na rua. Segurei a porta do elevador para as senhoras com sacolas nas mãos. Brinquei com o cachorro da moça que passeava na rua. Acenei para o velhinho na janela. Apertei a bochecha rosa e gorda de um bebê que tava brincando na pracinha. Entre outras estranhas gentilezas com estranhos. Enfim, estava tentando "socializar", ser simpática e mostrar um pouco de amabilidade.

Agora, respondam sinceramente. O que vocês acham que rolou durante e depois dessas atitudes? Aposto que pensaram "nossa, as pessoas devem ter achado bacana" ou coisa assim, né? Pois, estão enganados, meus caros. Sei lá por que cargas d'águas, não sei se eu parecia meio maluca ou coisa do tipo. Mas, as pessoas não foram tão receptivas como eu esperava que fossem.

Os meus bom dias eram olhados com surpresa e respondidos apenas com múmurios de cabeça baixa. Uma das senhoras, entrou no elevador com a cara mais carrancuda do mundo e simplesmente apertou o botão. O velhinho na janela colocou a cabeça de volta para dentro de casa. A moça pegou o cachorro no colo. A mãe do bebê fechou a cara. Mas, pelo menos o bebê sorriu! Isso, confesso, compensou a ação.

Quase nenhuma pessoa experimentou esboçar um sorriso ou quiça agradecer. Fique tão "passada"! E claro, comecei a me perguntar: WTF está acontecendo com essas pessoas? Não quis dizer com "as pessoas" para não generalizar, afinal tem muita gente disposta a retribuir ou oferecer gentilezas gratuitas. Mas, aquelas, especificadamente, ou estavam muito de mal com o mundo ou eu realmente parecia maluca ou, as pessoas realmente estão cada vez mais temorosas.

Sério, fiquei afim de entender o motivo. Será que o mundo anda tão complicado que as pessoas têm medo, receio, má vontade, ou o que quer que seja, de falar com quem não conhece? Será que agora é cada um no seu círculo social e ponto final? Bom, se for assim a partir de agora, eu me recuso a compartilhar disso. De verdade!

Tudo bem, que a gente vê muita coisa maluca acontecendo por aí. Tem muita gente que faz o mal a revelia, sem importar-se em magoar ou assustar as pessoas. Mas, poxa, também tem gente bacana de sobra pelo mundo. Gente que você pode nem conhecer direito, mas que alguma coisa que preste ela pode ter ensinar, oferece ou compartilhar.

Eu, sempre fui muito receptiva com pessoas estranhas. Nunca tive essa de receio e coisa e tal. Nunca respeitei muito o conselho que as mães dão de não falar com estranhos. Claro, já encontrei gente do mal. Já meio que me ferrei por confiar em quem não conhecia bem. Mas, são coisas da vida. Nesse intermédio entre o "bem e o mal", conheci pessoas excelentes. Algumas só falei uma vez, outras levo para a vida toda. E foram grandes experiências. Não tenho arrependimentos.

Por isso, que por essas e outras, hoje fiquei muito triste. Triste por perceber que vou acabar deixando para meus filhos um mundo cheio de gente que não se presta mais a vivenciar a experiência do bom e velho desconhecido. E pior, pessoas que sequer sabem retribuir pequenas coisas que fazem a vida melhor.

Bom, é isso aí pessoal. Esse post foi mais um desabafo compartilhado com vocês.

E agora, um trecho de uma música do Zeca Baleiro. Que apesar de tratar de uma felicidade advinda de um romance, traz um pouco da sensação que senti hoje ao acordar e querer fazer pequenas e estranhas (?) gentilezas.

"Hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria..."

Telegrama - Zeca Baleiro

P.S. Bom,todo mundo deve conhecer. Mas, se por acaso alguém não ouviu essa música ainda.Ta aí. Enjoy!


Beijos e mais beijos! Porque como diz um novo amigo meu, quem gosta de dar só abraço é vendedor de carnê do Baú. rs