2.8.09

"Ó mágoa revisitada".


“Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!”


Ninguém melhor que os poetas para descrever e escrever sobre ‘mágoa’, não é mesmo? Aliás, esse é um sentimento tão bem representado que pode soar até um pouco pretensioso que eu escreva a respeito. Porém, como estou em um constante processo de aprendizagem e treinamento, me arrisco a tratá-la como um assunto corriqueiro, o que de fato é. Afinal, está tão presente no dia-a-dia das pessoas, entranhada na pele de muita gente e sufocando tantas outras que achei que valia muito a pena a tentativa.

Não venho aqui escrever um texto piegas e muito menos romântico. A mágoa já foi muitas vezes descrita dessa maneira. Aqui, eu quero falar da mágoa que corrói as pessoas diariamente, aquela “magoazinha” que alimentamos e achamos não ser nada, mas que quando nos damos conta já tornou nossa vida obscura. 

Bom, mesmo fugindo da pieguice e do romantismo escrachado entendo ser impossível falar de mágoa e não falar de amor. Mesmo porque, em tantos e tantos casos, amor e mágoa andam de mãos dadas, confundindo, amargurando e destruindo muita gente. Afinal, quem nunca guardou mágoa de um amor mal resolvido ou não correspondido? 

Sentir-se magoado é coisa normal. O que acredito ser ruim é alimentar esse sentimento. As pessoas sempre vão nos magoar. Ninguém é perfeito, afinal de contas. O que a gente não pode é permitir que essa sensação ruim deixada pela mágoa vá tomando de conta das nossas relações pessoais. Porque é incrível a capacidade que o ser humano tem de encontrar espaço dentro de si para ir entulhando esse tipo de coisa.

Faz algum tempo, venho observando como nós alimentamos a mágoa. Ela começa como uma reação a algo que nos tenham feito, como uma ofensa, traição, uma palavra trocada em um momento ruim, uma interpretação errada de uma ou outra atitude, enfim, tudo aquilo que consideramos desagradável na conduta alheia perante nós. Algumas pessoas tem uma grande facilidade para perdoar e até para esquecer tais “incidentes”. Outras perdoam, mas seguem a risca o ditado “perdoar, não é esquecer” e preferem seguir suas vidas sem mais ter que voltar a falar com que lhe causou a mágoa. E a maioria, em contrapartida, não perdoa, não esquece e ainda alimenta a mágoa.

Eu, particularmente, não sou nenhuma Madre Teresa de Calcutá ou outra santa do gênero, mas, em quesito “Perdoai-os eles não sabem o que fazem” eu até que me saio bem. (risos). Mágoa tem pouco ou nenhum espaço na minha vida. Porque, afinal de contas, é um sentimento que fica muito bem em letras de músicas, poemas e até sendo encenada por atores em um palco, mas, na vida real, sinceramente, não tem nenhuma serventia.

21 comentários:

Silvia Gonçalves disse...

Oi Gabi...

Vc as vezes some né..r.s.

Então, legal o texto viu...
Mas uma coisa eu queria complementar.. as vezes o amor citado nem sempre vem exatamente de uma relação de amo [homem x mulher]... basta vc amar alguém, um irmão, um pai, mãe, amigos...

Cada pessoa que amamos, fica guardada dentro de nós, e erroneamente, criamos expectativas que as vezes, elas jamais produziram...

Nós somos, na maioria das vezes, responsáveis pelas próprias mágoas, a partir de expectativas que criamos sozinhos.. e esta é a pior de todos...

Precisamos tomar muito cuidado com isto.. mas como é difícil nos protegermos também não é...

Eta mundão véio sem porteira né não...r.s.

Bjos querida..
Não suma!!!

( aperte o alt ) disse...

Ouvi certa vez um ditado (se é que pode ser chamado assim) a respeito da culpa mas que pode perfeitamente ser adaptado para a mágoa (e muitas coisas mais): "A mágoa é como um saco de tijolos: para você andar melhor, basta largá-lo."

De uma simplicidade estonteante, né?

Beijos, menina.

Eliane disse...

Gaby,

Adorei esse texto. Seria muito bom se levássemos ao pé da letra o Perdão do que guardar a mágoa que não nos serve de nada.

Parabéns.

Rodrigo Furquim disse...

O cidadão do Alt está certíssimo, certos comportamentos devem ser encarados de uma simplicidade até infantil. Para ser livre, você não pode estar acorrentado a mágoa nenhuma.

Tiago M. Miranda disse...

Adorei seu blog, Gabi! Nossa, realmente não sabia deste seu talento. Tentei umas duas vezes escrever na internet, mas nunca tinha tempo. Agora estou com um projeto e gostaria de convidá-la para participar. Grande abraço!

Rafael disse...

Incrível como esse seu texto veio a calhar nesse momento.
Digamos que o sentimento que tem me definido essa semana é a tal da mágoa.
Acho que esperamos demais das pessoas, e a frustração resulta nisso. Palavrinha pequena profunda e maldita.
Tô custando a largar esse "saco de tijolos"...
Parabéns pelo texto e pelo carinho de sempre.

Gabriela disse...

Oh, Sil... Prometo ser mais presente!
Você tem razão em dizer que o amor entre casais é somente uma das vertentes para a mágoa. E as expectativas criadas em relação as pessoas apenas contribuem para que ela seja mais frequente em nossas vidas.

Obrigada pela visita, sempre!
Bj! Bj!

Gabriela disse...

Uma comparação perfeita, meu caro Alt!

Beijão!

Gabriela disse...

Eli,
Que bom você por aqui. Obrigada pela visita e pelo incentivo!

Bj!

Gabriela disse...

Vamos então jogar fora os tijolos e as correntes, Ro? rs
Obrigada pelo carinho de sempre.
Bj!

Gabriela disse...

Pois é, Tiago. Nas horas vagas eu me arrisco na escrita... Tô treinando e aprendendo.
E receber um elogio de um cara inteligente como você, é ótimo. Obrigada.
Ah, tô aqui para o que der e vier. Topo o projeto!

Beijão!

Gabriela disse...

É bom quando encontramos um texto que venha de encontro aos nossos sentimentos. E fico feliz que meu texto tenha tido tal resultado.
Bora largar esse saco logo, Rafa! rs
Obrigada você, pelo carinho!

Um beijão!

Gláuce Di Carli disse...

Gabiziiinhaaaaa,já ti falei q vc escreve super bem né? ;)

entãoo,ameii o texto...porq como Rafael disse,estou nessa tbm,não acho nem q seja questão de esperar demais da pessoa,mais siim,tipoo ter um minimo de retorno,e por não ter esse retorno,o q resta é mágoaa mesmo...mais como tudo na vida passa,já tá até passando,hahaha

beijoos.

Gláuce Di Carli disse...

Gabiziiinhaaaaa,já ti falei q vc escreve super bem né? ;)

entãoo,ameii o texto...porq como Rafael disse,estou nessa tbm,não acho nem q seja questão de esperar demais da pessoa,mais siim,tipoo ter um minimo de retorno,e por não ter esse retorno,o q resta é mágoaa mesmo...mais como tudo na vida passa,já tá até passando,hahaha

beijoos.

Gabriela disse...

Oh, Gláuce, brigada!

Pois, então fia, joga esse saco lá longe mesmo! rs

Volte mais vezes viu!
Bj!

Gabriela disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Gabriela disse...
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Gabriela disse...

Massa!

luiz scalercio disse...

bellissimo texto
prbns seu blog.

luiz scalercio disse...

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www.analucianicolau.adv.br
vai la ta.

Thomaz Ribeiro disse...

Eu queria ser uma pessoa melhor, tirando de mim todo ressentimento que tenho. Mas Deus é testemunha que me esforço. Ótimo texto. Acho que tudo que é relativo ao ser humano é complicado, a instabilidade é nossa marca. É bom abordar de vez em quando esse tema, contribui para o nosso aprendizado na terra.